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Pediatrando

Menina de 8 anos é trazida à sala de emergência após ser atropelada por um carro. A criança foi encontrada inconsciente no local, mas recuperou a consciência durante o transporte para o hospital. Apresenta dor abdominal. Ao exame físico: frequência cardíaca de 150 bpm, pressão arterial de 70/40 mmHg, frequência respiratória de 30 rpm, saturação de oxigênio de 95% em máscara não reinalante, enchimento capilar 6 segundos e pulsos finos. Administrados 20 ml/kg de cristaloides com manutenção dos parâmetros clínicos. Qual é o próximo passo no manejo desta criança?

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Resposta: A

  1. A) Infundir concentrado de hemácias.

    Sem resposta a 20 mL/kg de cristaloide, com hipotensão (sinal tardio na criança, que indica perda acima de 30% da volemia), a criança precisa de concentrado de hemácias, 10 a 20 mL/kg, O negativo se ainda não houver tipagem. Mais cristaloide dilui fatores de coagulação e piora acidose e hipotermia; a fonte provável é abdominal e exige avaliação cirúrgica.

  2. B) Iniciar agentes vasopressores.

    Vasopressor no choque hemorrágico eleva a pressão à custa de vasoconstrição, sem repor o volume perdido, e piora a perfusão dos órgãos. O tratamento é repor sangue e parar o sangramento.

  3. C) Repetir dose de cristaloides.

    Repetir cristaloide era a regra antiga (até 3 bolus). Hoje, sem resposta ao primeiro bolus de 20 mL/kg, passa-se aos hemocomponentes, porque o excesso de cristaloide causa coagulopatia dilucional, hipotermia e acidose.

  4. D) Administrar plasma fresco.

    Plasma entra no protocolo de transfusão maciça junto com hemácias e plaquetas, em proporção próxima de 1:1:1, mas isolado não recupera a oferta de oxigênio. O primeiro hemocomponente no choque hemorrágico é o concentrado de hemácias.

Resumo para lembrar

Criança politraumatizada com dor abdominal, taquicardia, hipotensão, enchimento capilar de 6 segundos e pulsos finos está em choque hemorrágico. Sem resposta a um bolus de 20 mL/kg de cristaloide aquecido, o próximo passo é transfundir concentrado de hemácias (10 a 20 mL/kg), acionar o protocolo de transfusão maciça se preciso e buscar o controle cirúrgico do sangramento.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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