Você é médico de família em uma unidade básica de saúde do interior do Amazonas e atende uma criança de 3 anos trazida pela mãe com queixa de atraso na fala. A criança ainda não fala, compreende comandos verbais simples e, por vezes, aponta ou conduz o responsável pela mão para expressar suas vontades. Os marcos motores foram adquiridos dentro da normalidade. Na creche, tende ao isolamento, irrita-se com mudanças na rotina, apresenta hipersensibilidade a sons, episódios de agitação e irritabilidade, além de movimentos repetitivos das mãos. Diante do quadro descrito, qual é a principal hipótese diagnóstica?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico, que é uma criança de três anos de idade, e essa idade é super importante para a gente pensar nos marcos do desenvolvimento.
- A queixa principal trazida pela mãe é um atraso na fala, o que já nos acende um alerta para a comunicação.
- E o enunciado detalha que a criança ainda não fala, o que é um atraso significativo para essa idade.
- Ela compreende comandos verbais simples, o que sugere que a audição e parte da compreensão estão preservadas, mas a expressão é o problema.
- Para se comunicar, ela aponta ou conduz o responsável pela mão, mostrando uma forma não verbal de expressar suas necessidades.
- É importante notar que os marcos motores foram adquiridos dentro da normalidade, o que nos ajuda a descartar um atraso global do desenvolvimento.
- Na creche, a criança tende ao isolamento, o que é um dado importante sobre a interação social.
- Ela se irrita com mudanças na rotina, o que indica uma rigidez e dificuldade de adaptação.
- Apresenta também hipersensibilidade a sons, um achado que nos remete a questões sensoriais.
- E, por fim, o enunciado menciona movimentos repetitivos das mãos, que são as chamadas estereotipias, um sinal bem característico.
- Juntando todos esses pontos, temos uma criança de três anos com um atraso significativo na comunicação verbal, que se manifesta pela ausência de fala e pela necessidade de usar gestos para se expressar.
- Além disso, observamos dificuldades na interação social, como o isolamento na creche, e padrões de comportamento restritos e repetitivos, como a irritabilidade com mudanças na rotina, a hipersensibilidade sensorial e os movimentos repetitivos das mãos.
- Esse conjunto de achados, que inclui déficits persistentes na comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, é altamente sugestivo de um Transtorno do Espectro Autista.
- A alternativa A sugere Transtorno do processamento auditivo central, mas essa condição, por si só, não explicaria a rigidez, as estereotipias e a alteração na interação social que a criança apresenta.
- A alternativa B fala em Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. No entanto, o TDAH não abrange os déficits de comunicação social e os comportamentos restritos que foram descritos no caso.
- A alternativa C, que diz que não há atraso e que a criança é apenas mais tímida, está incorreta. A timidez não justifica a ausência de linguagem e as manifestações repetitivas persistentes observadas.
- Finalmente, a alternativa D, Transtorno do espectro autista, é a correta. O conjunto de comunicação social alterada e os padrões restritos de comportamento sustentam fortemente a avaliação para o Transtorno do Espectro Autista.
- Então, para revisar rapidamente, em uma criança de três anos, com atraso na fala, isolamento social e movimentos repetitivos, pense sempre em Transtorno do Espectro Autista.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Autism spectrum disorder in under 19s — support and managementNICE, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.