A mãe de Lucas, um lactente de 18 meses de idade, comparece à consulta de puericultura expressando preocupação com o desenvolvimento do filho. Ela relata que Lucas ainda não aponta para objetos de interesse, prefere brincar sozinho alinhando seus carrinhos e tem dificuldade em manter contato visual. Além disso, não responde consistentemente quando chamado pelo nome. A mãe menciona que um familiar sugeriu que "cada criança tem seu tempo" e que não se deve "rotular" cedo demais. Lucas teve desenvolvimento motor típico e não há histórico familiar de problemas do desenvolvimento. Considerando a idade de Lucas e os relatos da mãe, e de acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é a conduta inicial mais apropriada nesse momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso do Lucas, um lactente de dezoito meses de idade. Essa idade é crucial porque já esperamos certos marcos de desenvolvimento, e a ausência deles pode ser um sinal de alerta.
- A mãe relata que Lucas ainda não aponta para objetos de interesse. Apontar é um gesto protodeclarativo importante para a comunicação social e costuma surgir por volta dos doze meses.
- Outro ponto é que ele prefere brincar sozinho alinhando seus carrinhos. Esse tipo de brincadeira repetitiva e isolada é um comportamento que nos chama a atenção.
- A mãe também observa dificuldade em manter contato visual. O contato visual é fundamental para a interação social e a comunicação não verbal.
- E, para completar, ele não responde consistentemente quando chamado pelo nome. Isso pode indicar uma dificuldade na atenção compartilhada e na resposta a estímulos sociais.
- A fala da mãe sobre a sugestão de que 'cada criança tem seu tempo' é um alerta para nós. Precisamos estar atentos para não cair nessa armadilha e perder a janela de oportunidade para intervenção precoce.
- Juntando todos esses achados, a idade de dezoito meses, a dificuldade de comunicação social, a falta de resposta ao nome e os comportamentos repetitivos, temos um quadro que levanta uma forte suspeita de Transtorno do Espectro Autista.
- Diante dessa suspeita e da preocupação da mãe, não podemos simplesmente tranquilizá-la. É nosso dever investigar e agir de forma proativa, seguindo as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria para o rastreio do desenvolvimento.
- Vamos analisar a alternativa A. Tranquilizar a mãe, explicando que os sinais são inespecíficos para a idade e que uma reavaliação deve ser agendada para os vinte e quatro meses de vida, está incorreto. Os sinais descritos são, sim, específicos e preocupantes para a idade. Esperar pode atrasar uma intervenção crucial.
- A alternativa C sugere solicitar exames de neuroimagem, como ressonância magnética de crânio. Isso não é a conduta inicial apropriada. Exames de neuroimagem não são obrigatórios para o rastreio de Transtorno do Espectro Autista e só seriam indicados em casos específicos com outras suspeitas neurológicas.
- A alternativa D propõe prescrever risperidona em baixa dose. Isso está completamente errado. A risperidona é uma medicação que pode ser usada para tratar sintomas específicos associados ao Transtorno do Espectro Autista, como irritabilidade, mas não é um teste diagnóstico nem o tratamento inicial para os déficits de interação social.
- A alternativa E recomenda a inclusão da criança em uma creche ou berçário. Embora a socialização seja importante, a creche não substitui uma avaliação formal do desenvolvimento e uma intervenção individualizada para os sinais de alerta que o Lucas apresenta. Não podemos atribuir os sintomas apenas à falta de contato social.
- A alternativa B é a conduta mais apropriada. Realizar a aplicação do questionário M-CHAT-R/F é o passo correto para rastrear o risco de Transtorno do Espectro Autista nessa faixa etária. Caso o resultado indique risco, o encaminhamento para uma avaliação multidisciplinar especializada deve ser imediato para iniciar o apoio precoce.
- Então, lembre-se: criança de um ano e meio com atraso na comunicação social, falta de resposta ao nome e comportamentos repetitivos, pense sempre em rastreio para Transtorno do Espectro Autista.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Autism spectrum disorder in under 19s — support and managementNICE, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.