Pular para o conteúdo
Pediatrando

Menino de 2 anos e 8 meses é admitido no pronto-socorro com história de diarreia inicialmente aquosa, evoluindo para fezes sanguinolentas há 48 horas. Há 24 horas, iniciou prostração, oligúria e palidez progressiva. Exame físico: estado geral regular, irritado, hipoativo, palidez 2+/4+, edema 2+/4+ em face e membros inferiores, peso atual: 13 kg (1 kg acima do verificado há 15 dias). Frequência cardíaca: 132 bpm, frequência respiratória: 28 irpm, pressão arterial: 108/72 mmHg (percentil >95 para idade e estatura), tempo de enchimento capilar: 3 seg. Abdome: distendido, levemente doloroso à palpação profunda, sem visceromegalias. Sem outras alterações. Exames laboratoriais: * Hemoglobina: 7,4 g/dL; * Plaquetas: 58.000/mm3; * Reticulócitos: 4% Esfregaço periférico: esquizócitos(+++); * Desidrogenase láctica: 2.100 U/L; * Bilirrubina indireta aumentada; * Ureia 80 mg/dL; Creatinina: 1,4 mg/dL; * pH 7,33; pCO2 29 mmHg; Bicarbonato 15 mEq/L; * Sódio: 132 mEq/L; Potássio: 5,6 mEq/L; * Sumário de urina: hematúria (++), proteinúria (+++). Qual é a conduta imediata mais adequada?

Decimal com vírgula, como no restante da questão. Acento ausente em hídrica. Grafia correta de acidobásico.

Ver o gabarito comentado

Resposta: B

  1. A) Iniciar inibidores da enzima conversora de angiotensina para proteção da função renal associado a hidralazina intravenosa.

    Inibidor da ECA é evitado na fase aguda da lesão renal: reduz a filtração glomerular e piora a hiperpotassemia, e o potássio aqui já é 5,6 mEq/L. A hipertensão da SHU é sobretudo volume-dependente e responde à restrição hídrica; se precisar de droga, preferem-se bloqueadores de canal de cálcio, e o IECA fica para a hipertensão ou proteinúria persistentes na fase crônica.

  2. B) Indicar restrição hídrica guiada por balanço, equilíbrio hidroeletrolítico e acidobásico, e vigilância hemodinâmica.

    Criança hipervolêmica (edema, ganho de 1 kg, hipertensão, oligúria) com hemólise, esquizócitos, plaquetopenia e lesão renal após diarreia sanguinolenta tem SHU típica. O tratamento é de suporte: restrição hídrica guiada por balanço (perdas insensíveis mais diurese), correção da hiperpotassemia e da acidose metabólica, controle pressórico e monitorização, com diálise se houver sobrecarga refratária, hiperpotassemia ou uremia.

  3. C) Introdução de antibioticoterapia sistêmica para erradicação da Escherichia coli produtora de toxina Shiga.

    Antibiótico não é indicado na infecção por E. coli produtora de toxina Shiga: pode aumentar a liberação de toxina e o risco de SHU, e com a SHU já instalada não muda a evolução. Antidiarreicos que reduzem a motilidade também devem ser evitados.

  4. D) Realizar diurético e transfusão de concentrado de plaquetas devido ao risco iminente de sangramento espontâneo.

    Transfusão de plaquetas só se indica com sangramento ativo ou antes de procedimento invasivo; 58.000/mm3 sem sangramento não justificam, e a transfusão pode agravar a microangiopatia. O diurético pode ser tentado na hipervolemia, mas não é o centro da conduta; concentrado de hemácias entra quando a hemoglobina cai abaixo de 6 g/dL ou há repercussão clínica.

Resumo para lembrar

SHU típica, por E. coli produtora de toxina Shiga, é anemia hemolítica microangiopática com esquizócitos, plaquetopenia e lesão renal aguda após diarreia sanguinolenta. O tratamento é de suporte: balanço hídrico com restrição na hipervolemia, correção de potássio e acidose, diálise se indicada; sem antibiótico, antimotilidade ou plaquetas sem sangramento.

Explicação

Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.

Reportar
Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

Comentário atualizado em

Questões do mesmo tema