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Pediatrando

Paciente de 6 anos de idade, com peso de 23 kg e estatura de 123 cm, tem histórico de Síndrome Hemolítico-Urêmica associada à Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC-SHU) aos 3 anos de idade, tendo realizado diálise peritoneal por 10 dias no período. Comparece em retorno ambulatorial na nefrologia pediátrica, sem queixas, apresentando: Pressão arterial entre percentil 50 e 90 para idade, sexo e estatura. Creatinina sérica estável em 0,8 mg/dL. Relação proteína/creatinina urinária: 1,8 mg/mg (VN: <0,2 mg/mg). Sódio sérico: 138 mEq/L (VN: 135-145 mEq/L) e potássio sérico: 3,8 mEq/L (VN: 3,5-5,0 mEq/L). Considerando o quadro atual, qual a conduta mais adequada no momento?

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Resposta: C

  1. A) Realizar restrição hídrica devido ao risco de hipervolemia.

    Não há sinal de hipervolemia: pressão entre P50 e P90, sódio normal, sem edema ou queixas. A filtração estimada é de cerca de 64 mL/min/1,73 m² (Schwartz: 0,413 × 123 ÷ 0,8), com diurese preservada; restringir líquidos só traria risco de desidratação e piora da função renal.

  2. B) Utilizar furosemida com o intuito de estimular a taxa de filtração glomerular.

    A furosemida aumenta a natriurese e a diurese, mas não eleva a taxa de filtração glomerular nem protege o rim. Sem edema, hipervolemia ou hipertensão, não há indicação de diurético.

  3. C) Iniciar inibidor da enzima conversora de angiotensina.

    A proteinúria persistente é o principal marcador de lesão renal residual após a SHU e fator de progressão para doença renal crônica. O IECA (por exemplo, enalapril) reduz a pressão intraglomerular e a proteinúria e é indicado mesmo com pressão normal; controlar potássio e creatinina 1 a 2 semanas após o início.

  4. D) Inscrever no programa de transplante renal, evitando-se a diálise.

    Transplante preemptivo é planejado quando a doença renal chega ou se aproxima do estágio 5 (filtração abaixo de 15 mL/min/1,73 m²). Esta criança tem filtração estimada perto de 64 mL/min/1,73 m² (estágio 2) e função estável, longe dessa indicação.

Resumo para lembrar

Após SHU por STEC, até um terço das crianças mantém sequela renal: proteinúria, hipertensão ou queda da filtração. Proteinúria persistente (relação proteína/creatinina de 1,8 mg/mg) com creatinina estável pede bloqueio do sistema renina-angiotensina com IECA ou BRA, que reduz a proteinúria e retarda a progressão da doença renal crônica mesmo com pressão normal.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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