Paciente de 6 meses, é admitido no pronto-socorro com história de vômitos persistentes e diarreia aquosa há 2 dias. Ao exame físico está prostrado, com pele moteada, extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e taquicárdico (FC: 185 bpm). Segundo as recomendações do PALS, após garantir a permeabilidade da via aérea e iniciar com oxigenoterapia, qual é a conduta imediata mais apropriada entre as abaixo?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso clínico, que é bem comum na emergência pediátrica, e ver o que o enunciado nos traz de importante.
- A idade é crucial porque lactentes desidratam e descompensam mais rapidamente, e as doses de medicação e volume são sempre por quilo.
- Essa história de vômitos e diarreia por dois dias nos aponta para uma perda significativa de fluidos, o que é a causa mais provável do quadro de choque.
- A prostração já indica um comprometimento do estado geral, um sinal de alerta importante.
- Pele moteada e extremidades frias são sinais clássicos de má perfusão periférica, indicando que o corpo está tentando centralizar o fluxo sanguíneo para órgãos vitais.
- Um tempo de enchimento capilar de quatro segundos é prolongado, confirmando a presença de choque.
- A taquicardia é a principal forma de compensação cardiovascular em crianças com choque hipovolêmico, tentando manter o débito cardíaco.
- É importante notar que as medidas iniciais de via aérea e oxigênio já foram tomadas, então nossa atenção se volta para a próxima etapa do manejo do choque.
- A questão nos pede a conduta imediata, ou seja, o próximo passo crucial após a estabilização inicial da via aérea e respiração.
- Juntando a história de vômitos e diarreia com os sinais de má perfusão, como pele moteada, extremidades frias e tempo de enchimento capilar prolongado, além da taquicardia compensatória, o diagnóstico mais provável é de choque hipovolêmico.
- No choque hipovolêmico, a principal necessidade é a reposição rápida do volume intravascular perdido, e as diretrizes do PALS são claras quanto a isso.
- A adrenalina em infusão contínua é reservada para casos de choque refratário a volume, especialmente choque séptico frio ou cardiogênico.
- Administrar um vasoconstritor sem antes repor o volume pode, na verdade, piorar a perfusão tecidual, pois o problema primário é a falta de volume.
- A dopamina também não é a primeira escolha para o tratamento do choque, mesmo no choque séptico, onde a adrenalina e noradrenalina são preferidas.
- E, o mais importante, nenhum agente vasoativo substitui a reposição de volume no choque hipovolêmico, que é a causa do problema aqui.
- Soluções coloides não demonstraram benefício superior aos cristaloides na ressuscitação inicial e são mais caras.
- Além disso, alíquotas de dez mililitros por quilo são geralmente usadas em situações específicas, como em pacientes com disfunção cardíaca e risco de sobrecarga, o que não é o caso deste lactente com choque hipovolêmico por perdas gastrointestinais.
- Diante de um quadro de choque hipovolêmico, como o que descrevemos, a conduta imediata e mais apropriada, segundo as recomendações do PALS, é a infusão rápida de um bolus de vinte mililitros por quilo de solução cristaloide isotônica, como soro fisiológico a 0,9 por cento ou Ringer lactato.
- Essa infusão deve ser feita em um período de cinco a vinte minutos e pode ser repetida, reavaliando a resposta do paciente a cada bolus, até que os sinais de choque melhorem.
- Então, lembre-se: uma criança de seis meses, com vômitos e diarreia, apresentando sinais de má perfusão e taquicardia, está em choque hipovolêmico e precisa de reposição volêmica rápida com cristaloide.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Pediatric Advanced Life Support — diretrizes 2025AHA/AAP, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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