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Pediatrando

Paciente do sexo masculino, 14 anos, previamente hígido, levado para atendimento com relato de crise convulsiva há 1 dia. Mãe relata que o paciente apresentou, durante o sono, movimentos tônico-clônico dos membros, eversão ocular e liberação esfincteriana, com duração de 2 minutos e interrupção espontânea após. Ela também relata que o paciente teve episódio semelhante há 15 dias, quando foi internado para investigação, onde descartaram causas infecto metabólicas e recebeu alta após RM de crânio e eletroencefalograma não mostrarem anormalidades. Conforme descrição do caso clínico acima, assinale a alternativa correta:

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Resposta: A

  1. A) Orientar a família que o paciente possui epilepsia e é indicado uso de fármaco anticrise.

    Duas crises tônico-clônicas não provocadas com 15 dias de intervalo, após exclusão de causas infecciosas e metabólicas, preenchem a definição de epilepsia da ILAE. Com risco de recorrência em torno de 70% após a segunda crise, está indicado iniciar fármaco anticrise, escolhido pelo tipo de crise e pelo perfil do paciente.

  2. B) Solicitar novo eletroencefalograma, e aguardar resultado para definição sobre o uso do fármaco anticrise.

    O EEG interictal de rotina é normal em cerca de metade das pessoas com epilepsia, e o diagnóstico é clínico. Um EEG com privação de sono ajuda a classificar a síndrome, mas não deve adiar o tratamento de quem já teve duas crises não provocadas.

  3. C) Solicitar cintilografia de perfusão cerebral, e aguardar resultado para definição sobre o uso do fármaco anticrise.

    A cintilografia de perfusão cerebral (SPECT ictal e interictal) tem papel restrito à avaliação pré-cirúrgica de epilepsias focais refratárias, para localizar a zona epileptogênica. Não participa do diagnóstico nem da decisão de iniciar tratamento.

  4. D) Manter conduta observacional e orientar a família que até o momento o paciente não possui critérios para epilepsia.

    A conduta expectante cabe após uma primeira crise não provocada com EEG e RM normais, cujo risco de recorrência fica entre 30% e 50%. Com a segunda crise espontânea separada da primeira por mais de 24 horas, o paciente já preenche o critério de epilepsia.

Resumo para lembrar

Pela definição prática da ILAE (2014), epilepsia é diagnosticada com duas crises não provocadas separadas por mais de 24 horas, ou com uma crise e risco de recorrência de pelo menos 60%. EEG e RM normais não afastam o diagnóstico: o EEG interictal de rotina é normal em cerca de metade dos pacientes. Após a segunda crise o risco de nova crise fica perto de 70%, e indica-se fármaco anticrise.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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