Pré-escolar, masculino, 3 anos é levado à emergência com quadro de febre, tosse e recusa alimentar há 2 dias. Exame físico: Tax. 38 ºC, tossindo, FC: 105 bpm, FR: 42 ipm, tiragem intercostal leve. RX de tórax: condensação em terço médio direito. Iniciado amoxicilina oral (50 mg/kg/dia) e orientado retorno em 48 h. No retorno estava afebril, aceitando dieta, hidratado, eupneico, discretos estertores subcrepitantes em hemitórax direito. A conduta indicada é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Primeiro, temos um pré-escolar de 3 anos. Essa idade é importante porque define o grupo etário e as prováveis etiologias da pneumonia adquirida na comunidade.
- Ele chegou com febre, tosse e recusa alimentar há dois dias. São sintomas clássicos de infecção respiratória, e a duração de dois dias indica um quadro agudo.
- Ao exame físico inicial, a temperatura era de 38 graus Celsius, frequência cardíaca de 105 batimentos por minuto, frequência respiratória de 42 incursões por minuto e tiragem intercostal leve. Esses dados mostram um quadro febril com certo desconforto respiratório, mas não grave.
- O raio-X de tórax confirmou uma condensação no terço médio direito, o que é compatível com pneumonia.
- Foi iniciada amoxicilina oral, na dose de 50 miligramas por quilo por dia, e o retorno foi agendado para 48 horas. Essa é a conduta padrão para pneumonia adquirida na comunidade não complicada em pré-escolares.
- No retorno, 48 horas depois, o paciente estava afebril, aceitando bem a dieta, hidratado e eupneico, ou seja, sem desconforto respiratório. Isso indica uma excelente resposta clínica ao tratamento.
- Apesar da melhora clínica, ainda havia discretos estertores subcrepitantes no hemitórax direito. Esse é um achado importante, pois pode gerar dúvida, mas a melhora clínica geral é o que prevalece.
- Diante de um pré-escolar com pneumonia adquirida na comunidade não complicada, a amoxicilina oral é a primeira escolha, pois o principal agente etiológico é o pneumococo.
- A avaliação da resposta ao tratamento é feita em 48 a 72 horas. A melhora dos sintomas como febre, aceitação alimentar e, principalmente, a ausência de desconforto respiratório, indicam que o tratamento está sendo eficaz.
- É fundamental entender que a ausculta pulmonar e a imagem radiológica podem demorar mais para normalizar do que os sintomas clínicos. A presença de estertores residuais não significa falha terapêutica se a criança está clinicamente bem.
- A alternativa B sugere trocar por cefuroxima oral. A cefuroxima é reservada para casos de falha terapêutica ou intolerância à amoxicilina. Trocar o antibiótico em uma criança que apresentou melhora clínica evidente é desnecessário e amplia o espectro sem motivo, o que não é recomendado.
- A alternativa C propõe trocar para amoxicilina com clavulanato oral. O clavulanato adicionaria cobertura para bactérias produtoras de betalactamase, como Haemophilus e Staphylococcus, o que seria útil em caso de falha após 48 a 72 horas de amoxicilina. No entanto, o paciente demonstrou uma boa resposta, não havendo falha no tratamento.
- A alternativa D sugere internar para iniciar ceftriaxone intravenoso. Essa conduta seria indicada apenas em casos de hipoxemia, desconforto respiratório grave, falha do tratamento oral, derrame pleural ou incapacidade de ingerir. Nenhuma dessas condições está presente no retorno do paciente, que está eupneico e aceitando dieta.
- A alternativa A, manter a amoxicilina oral, é a conduta correta. A criança apresentou uma excelente resposta clínica em 48 horas, com defervescência, melhora da aceitação alimentar e ausência de desconforto respiratório. Os estertores residuais são esperados e não indicam falha terapêutica. O tratamento deve ser mantido até completar o curso de sete dias.
- Então, lembre-se: criança com pneumonia adquirida na comunidade não complicada, que melhora clinicamente em 48 a 72 horas, mesmo com achados residuais na ausculta, deve ter o tratamento mantido.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Abordagem diagnóstica e terapêutica da PAC não complicadaSBP, 2021 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.