Recém-nascido de 14 dias, hipoativo e com desconforto respiratório, é levado para avaliação na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Antecedentes obstétricos: não foi realizado pré-natal e o parto ocorreu a termo no domicílio. Exame clínico: hipoativo e pouco responsiva, hipocorado, cianótico. Aparelho respiratório 70 irpm com tiragem subpostal. Murmúrio vesicular dimininuído bilateralmente. Saturação de O, em ar ambiente de 82%. Aparelho cardiovascular: pulsos débeis, tempo de perfusão capilar de 5 segundos. Frequência cardíaca de 160 bpm, com ritmo cardíaco regular. Abdome globoso, com fígado a 2,5 cm do rebordo costal direito, presença de halo de hiperemia e edema em torno do coto umbilical. O diagnóstico e as condutas adequadas são, respectivamente,
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. O enunciado nos apresenta um recém-nascido de 14 dias, o que é um dado crucial. Essa idade nos coloca no período neonatal tardio, onde infecções podem ser mais insidiosas e graves.
- Ele está hipoativo e com desconforto respiratório, que são sinais de alerta importantes em qualquer recém-nascido, indicando um quadro de gravidade.
- Os antecedentes obstétricos nos informam que não houve pré-natal e o parto foi domiciliar. Isso aumenta o risco de infecções e de condições não diagnosticadas, pois a mãe não teve acompanhamento adequado e o ambiente do parto pode não ter sido estéril.
- No exame clínico, a hipoatividade e a pouca responsividade reforçam a gravidade do quadro neurológico e sistêmico.
- A presença de hipocorado e cianótico indica má perfusão e oxigenação, respectivamente, apontando para um comprometimento circulatório e respiratório significativo.
- No aparelho respiratório, a frequência respiratória de 70 incursões por minuto com tiragem subcostal confirma o desconforto respiratório grave.
- O murmúrio vesicular diminuído bilateralmente pode sugerir comprometimento pulmonar generalizado, como atelectasias ou acúmulo de líquido.
- A saturação de oxigênio em ar ambiente de 82 por cento é muito baixa, indicando hipoxemia grave que necessita de intervenção imediata.
- No aparelho cardiovascular, os pulsos débeis e o tempo de perfusão capilar de 5 segundos são sinais clássicos de choque, indicando que o sistema circulatório não está conseguindo suprir as necessidades dos tecidos.
- A frequência cardíaca de 160 batimentos por minuto é taquicardia para um recém-nascido, que pode ser uma resposta compensatória ao choque.
- No abdome, o fígado a 2,5 centímetros do rebordo costal direito pode indicar hepatomegalia, que pode ser um sinal de insuficiência cardíaca ou de infecção sistêmica.
- E, finalmente, a presença de halo de hiperemia e edema em torno do coto umbilical é um achado muito importante, sugerindo onfalite, que é uma infecção local que pode rapidamente se espalhar e causar sepse em recém-nascidos.
- Juntando todos esses achados, temos um recém-nascido com sinais de infecção grave (onfalite, ausência de pré-natal, parto domiciliar) e choque (hipoatividade, má perfusão, taquicardia, desconforto respiratório).
- O quadro clínico é altamente sugestivo de choque séptico, que é um tipo de choque distributivo, onde há uma má distribuição do fluxo sanguíneo devido à vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular causados pela infecção sistêmica.
- Agora vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A sugere choque cardiogênico e evitar excesso de volume, além de prostaglandina E1.
- Essa opção está incorreta porque os sinais clínicos, especialmente a onfalite, apontam para uma causa infecciosa e não primariamente cardíaca. A prostaglandina E1 é usada em cardiopatias congênitas ducto-dependentes, o que não é o caso aqui.
- A alternativa B propõe choque neurogênico e corticoide endovenoso.
- Está incorreta porque não há evidência de lesão neurológica que justifique um choque neurogênico. Os sintomas são sistêmicos e infecciosos.
- A alternativa C fala em choque obstrutivo e descompressão torácica com agulha.
- Esta alternativa está incorreta, pois não há sinais que sugiram um pneumotórax hipertensivo ou outra causa obstrutiva que necessite de descompressão torácica. O murmúrio vesicular diminuído é bilateral, o que não é típico de pneumotórax hipertensivo unilateral.
- Finalmente, a alternativa D propõe choque distributivo, suporte ventilatório, acesso venoso para fluidos, hidratação de manutenção, antibióticos e fármacos vasoativos.
- Esta é a alternativa correta. O diagnóstico de choque distributivo, especificamente choque séptico, é o mais adequado para o quadro clínico. As condutas propostas, como suporte ventilatório para a hipoxemia e desconforto, acesso venoso para reposição volêmica cautelosa, hidratação de manutenção, antibióticos para tratar a infecção e fármacos vasoativos se houver necessidade, são o tratamento padrão para choque séptico em recém-nascidos.
- Em um recém-nascido de 14 dias, com sinais de infecção como onfalite e evidências de má perfusão e desconforto respiratório, pense sempre em choque séptico e inicie o tratamento rapidamente.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Atenção à saúde do recém-nascido — guia para profissionaisMinistério da Saúde, 2014 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.