Um menino de 3 anos, com diagnóstico recente de Síndrome Nefrótica, é encaminhado para internação para manejo de anasarca. A criança apresenta-se irritada, com extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e dor abdominal difusa. Os sinais vitais mostram frequência cardíaca: 145 bpm e pressão arterial: 75/40 mmHg (abaixo do percentil 5 para idade e altura). Exames laboratoriais: hematócrito de 48%, leucograma e plaquetas sem alterações; albumina sérica de 1,2 g/dL, e fração de excreção de sódio (FeNa) menor que 1%. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso, residente. Temos um menino de três anos, o que já nos situa em uma faixa etária importante para a apresentação de algumas doenças...
- E ele tem um diagnóstico recente de Síndrome Nefrótica, que é a doença de base que vai guiar nosso raciocínio.
- Ele está internado para manejo de anasarca, ou seja, um edema generalizado, que é uma das manifestações clássicas da síndrome nefrótica.
- Mas, veja bem, ele apresenta-se irritado, com extremidades frias, um tempo de enchimento capilar de quatro segundos e dor abdominal difusa. Esses são sinais claros de hipoperfusão, não é mesmo?
- Os sinais vitais confirmam essa suspeita, com uma frequência cardíaca de 145 batimentos por minuto, indicando taquicardia...
- E uma pressão arterial de 75 por 40 milímetros de mercúrio, que está abaixo do percentil cinco para a idade e altura, caracterizando hipotensão.
- Nos exames laboratoriais, o hematócrito de 48 por cento sugere hemoconcentração, o que é um achado importante aqui.
- A albumina sérica de 1,2 gramas por decilitro é extremamente baixa, indicando uma hipoalbuminemia grave.
- E a fração de excreção de sódio menor que um por cento é um forte indicativo de que o rim está tentando reter sódio e água, o que aponta para hipovolemia.
- Então, juntando todos esses dados — a síndrome nefrótica, a hipoalbuminemia grave, os sinais de choque, a hipotensão, a hemoconcentração e a fração de excreção de sódio baixa —, o quadro clínico é de hipovolemia grave.
- Na síndrome nefrótica, a hipovolemia ocorre devido à perda de albumina na urina, o que diminui a pressão oncótica intravascular e faz o líquido extravasar para o terceiro espaço, mesmo com o paciente edemaciado.
- Diante de um choque hipovolêmico, a conduta imediata é a expansão volêmica, mas aqui precisamos pensar em qual fluido é o mais adequado para essa condição específica...
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa B sugere prescrever furosemida intravenosa para reduzir a pré-carga.
- Isso seria um erro grave, pois a furosemida é um diurético que agravaria ainda mais a depleção intravascular e a hipotensão de um paciente que já está hipovolêmico e hipotenso, aumentando o risco de trombose e lesão renal aguda.
- A alternativa C propõe solicitar um Ecodopplercardiograma bidimensional para avaliar a função cardíaca antes de qualquer terapêutica.
- Embora exames complementares sejam importantes, neste cenário de choque hipovolêmico evidente, atrasar a expansão volêmica para esperar um ecocardiograma pioraria a perfusão e o prognóstico do paciente.
- A alternativa D sugere iniciar infusão rápida de Soro Fisiológico a 0,9 por cento na dose de 20 mililitros por quilo.
- O soro fisiológico é um cristaloide e, em um paciente com albumina sérica tão baixa, grande parte desse volume extravasaria rapidamente para o terceiro espaço, piorando a ascite e os derrames, com um efeito transitório e pouco eficaz na correção da hipovolemia intravascular.
- Finalmente, a alternativa A propõe realizar expansão volêmica com Albumina a 20 por cento, na dose de 0,5 gramas por quilo, em duas horas, e avaliar a necessidade de furosemida endovenosa após a infusão.
- Essa é a conduta mais adequada porque a albumina, sendo um coloide, restaura o volume intravascular de forma mais eficaz sem extravasar, corrigindo a hipovolemia e a hipotensão.
- A furosemida só deve ser considerada depois que o volume intravascular for restaurado, se ainda houver edema ou oligúria, para evitar os riscos de agravar a hipovolemia.
- Então, residente, em uma criança com síndrome nefrótica e sinais de choque hipovolêmico, pense sempre na expansão com albumina para restaurar o volume intravascular.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Nephrotic syndromeRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em