Uma criança de 6 anos, previamente hígida, é admitida na unidade de emergência com história de febre há 3 dias, fadiga progressiva e dispneia. Ao exame físico, apresenta taquicardia, hipotensão, extremidades frias, enchimento capilar de 4 segundos e hepatomegalia. É realizado POCUS à beira do leito. Quais achados ultrassonográficos confirmariam a principal hipótese diagnóstica elaborada diante do quadro clínico?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico, que nos traz uma criança de seis anos de idade...
- Ela era previamente hígida, o que nos indica que não havia doenças crônicas ou condições preexistentes importantes.
- O quadro começou com febre há três dias, o que sugere um pródromo infeccioso, provavelmente viral.
- Além da febre, a criança apresentava fadiga progressiva e dispneia, que são sintomas que nos alertam para uma possível disfunção cardíaca ou pulmonar grave.
- Ao exame físico, encontramos sinais claros de choque: taquicardia, hipotensão, extremidades frias e um enchimento capilar de quatro segundos.
- A presença de hepatomegalia é um dado muito importante, pois sugere congestão venosa sistêmica, indicando que o coração não está conseguindo bombear o sangue adequadamente.
- Diante de uma criança previamente hígida, com pródromo febril, fadiga, dispneia e sinais de choque frio com congestão sistêmica, nossa principal hipótese diagnóstica é uma miocardite evoluindo para choque cardiogênico.
- Agora, a questão nos pede quais achados ultrassonográficos à beira do leito, o POCUS, confirmariam essa hipótese de choque cardiogênico por miocardite.
- Vamos analisar a alternativa B. Ela fala em dilatação importante do ventrículo direito, achatamento do septo interventricular e ausência de congestão pulmonar.
- Esse padrão de dilatação do ventrículo direito com achatamento do septo e sem congestão pulmonar é mais sugestivo de um choque obstrutivo, como um tromboembolismo pulmonar, que é raro nessa idade e não se encaixa no pródromo febril e nos sinais de falência do ventrículo esquerdo que vimos no caso.
- A alternativa C descreve uma veia cava inferior fina, pulmões sem linhas B e cavidades cardíacas pequenas, com hipercinesia ventricular.
- Esses achados são típicos de um choque hipovolêmico, onde há pouca volemia e o coração tenta compensar com uma contratilidade aumentada.
- No entanto, a hepatomegalia e a dispneia do nosso paciente sugerem congestão, o oposto do que veríamos em um choque hipovolêmico.
- A alternativa D menciona uma veia cava inferior colabável à inspiração, ventrículo esquerdo hiperdinâmico e padrão pulmonar com linhas A predominante.
- Isso também aponta para um choque distributivo ou hipovolêmico, onde a contratilidade cardíaca está preservada ou até aumentada para compensar a baixa pré-carga ou a vasodilatação.
- Na miocardite com choque cardiogênico, esperamos uma função sistólica reduzida e sinais de congestão, o que não se encaixa aqui.
- Agora, vamos para a alternativa A. Ela descreve uma veia cava inferior dilatada com baixa variabilidade respiratória, linhas B bilaterais difusas e redução da contratilidade do ventrículo esquerdo.
- Uma veia cava inferior dilatada e com pouca variação respiratória indica pressão venosa central elevada e congestão sistêmica, o que é consistente com a hepatomegalia que o paciente apresentava.
- As linhas B bilaterais difusas no pulmão são o achado ultrassonográfico que confirma o edema pulmonar, ou seja, a congestão pulmonar.
- E a redução da contratilidade do ventrículo esquerdo é a própria definição da falência da bomba cardíaca, que é a causa do choque cardiogênico na miocardite.
- Portanto, a alternativa A reúne todos os achados de POCUS que confirmam nossa hipótese de miocardite com choque cardiogênico, com sinais de disfunção miocárdica e congestão.
- Então, criança de seis anos, com febre, fadiga, dispneia e sinais de choque frio com hepatomegalia, pense sempre em miocardite com choque cardiogênico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Pediatric Advanced Life Support — diretrizes 2025AHA/AAP, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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