Um menino de cinco anos de idade é atendido no ambulatório de pediatria. Desde o primeiro ano de vida, teve seis episódios de otite média aguda, sendo o último há seis meses. Na consulta anterior, há três meses, apresentava-se com efusão bilateral, que persistia por mais de quatro meses, mesmo após ter sido tratado com amoxicilina com clavulanato. Realizou audiometria, que mostrou redução auditiva bilateral de 45 dB à direita e 42 dB à esquerda. Qual é o tratamento apropriado para esse paciente?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar o caso clínico. Temos um menino de cinco anos de idade, e essa idade é importante porque algumas condutas podem variar conforme a faixa etária, como a indicação de adenoidectomia, por exemplo.
- Ele tem uma história de otite média aguda recorrente, com seis episódios desde o primeiro ano de vida. Isso já nos alerta para uma condição crônica ou de repetição que precisa de atenção.
- O último episódio de otite média aguda foi há seis meses, o que nos dá um panorama da frequência e do tempo de evolução.
- Na consulta anterior, há três meses, ele já apresentava efusão bilateral, e essa efusão persistia por mais de quatro meses. A persistência da efusão por um período prolongado, especialmente bilateral, é um dado crucial para o diagnóstico e a conduta.
- Ele foi tratado com amoxicilina com clavulanato, o que mostra que houve uma tentativa de tratamento medicamentoso, mas a efusão persistiu.
- E o dado mais importante para a decisão é a audiometria, que mostrou uma redução auditiva bilateral de 45 decibéis à direita e 42 decibéis à esquerda. Uma perda auditiva acima de 40 decibéis é considerada moderada e tem impacto significativo no desenvolvimento da criança.
- Então, temos um menino de cinco anos com história de otite média aguda recorrente, efusão bilateral persistente por mais de quatro meses e perda auditiva moderada documentada. Essa combinação de fatores nos direciona para uma intervenção mais definitiva.
- A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, em conjunto com a Academia Americana de Pediatria, de 2016, é bem clara sobre esses critérios.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A sugere timpanoplastia bilateral.
- A timpanoplastia é um procedimento para reparar perfurações crônicas da membrana timpânica ou sequelas como o colesteatoma, e não é o tratamento para otite média com efusão, onde a membrana timpânica está íntegra, apenas com líquido atrás dela.
- A alternativa C propõe prednisolona oral por 14 dias e audiometria após três meses.
- Corticoide oral, antibióticos, anti-histamínicos e descongestionantes não são recomendados para tratar a otite média com efusão, pois o benefício é mínimo ou nulo, e ainda há risco de efeitos adversos. Além disso, adiar o tratamento por três meses manteria a criança com uma perda auditiva moderada sem intervenção adequada.
- A alternativa D sugere repetir a audiometria após seis meses, pela possibilidade de otite secretória.
- A conduta expectante, ou seja, apenas observar e repetir exames, é válida para casos de efusão sem perda auditiva significativa ou sem outros fatores de risco. No nosso caso, a efusão já persiste por meses, e a perda auditiva é moderada e bilateral, o que exige uma intervenção e não apenas observação.
- Finalmente, a alternativa correta é a B: indicar implante de tubos de ventilação.
- A efusão bilateral persistente por mais de três meses, associada a uma perda auditiva documentada, que neste caso é moderada, e a história de otite média aguda recorrente, são indicações claras para a inserção de tubos de ventilação, conforme as diretrizes. Os tubos ajudam a restaurar a audição e a reduzir a recorrência de infecções.
- Uma criança de cinco anos, com otite média aguda recorrente, efusão bilateral persistente por mais de quatro meses e perda auditiva moderada, pense sempre em tubos de ventilação para restaurar a audição e prevenir novos episódios.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Otite com efusão: tubo de ventilação — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (Update) (AAO-HNS / AAP / AAFP, 2016) · Otite média com efusão — Departamento de Otorrinolaringologia (Tratado de Pediatria) (SBP, 5ª ed.) · Otitis media with effusion (serous otitis media) in children: Management (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (Update)AAO-HNS/AAP, 2016 · conferida em 28/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em