Lactente de 2 meses, previamente saudável, apresenta evacuações com raias de sangue em fezes pastosas. Está em aleitamento materno exclusivo. Não há febre, perda de peso ou comprometimento do estado geral. Exame físico abdominal normal. Após exclusão do leite de vaca da dieta materna, os sintomas desaparecem em 3 semanas. Qual exame/procedimento que pode confirmar o diagnóstico?
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Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso, residente. Temos um lactente de dois meses, que é uma idade muito importante para a gente pensar em algumas condições específicas...
- Ele era previamente saudável, o que nos diz que não havia outras doenças crônicas ou problemas de base complicando o quadro.
- O sintoma principal são as raias de sangue nas fezes, que são pastosas. Isso é um sinal de sangramento gastrointestinal baixo, e a consistência pastosa é comum em lactentes.
- Ele está em aleitamento materno exclusivo, o que é um dado crucial para pensarmos na origem de uma possível alergia alimentar.
- É muito importante notar que não há febre, perda de peso ou comprometimento do estado geral. Isso nos indica que a criança está bem, sem sinais de infecção grave ou desnutrição, o que é um diferencial importante.
- O exame físico abdominal normal reforça que não há um quadro agudo ou grave no abdome.
- E, por fim, o dado mais decisivo: após a exclusão do leite de vaca da dieta da mãe, os sintomas desapareceram em três semanas. Isso é uma resposta terapêutica clara à intervenção dietética...
- Juntando o lactente de dois meses, com sangue nas fezes, bom estado geral e aleitamento materno exclusivo, a gente já pensa fortemente em proctocolite alérgica induzida por proteína do leite de vaca...
- A melhora com a exclusão do leite de vaca da dieta materna, como vimos no caso, é um forte indicativo de que essa é a causa. Agora, a questão pede um exame ou procedimento para confirmar esse diagnóstico...
- Vamos analisar a alternativa A. A biópsia intestinal, embora possa mostrar um infiltrado eosinofílico, não é o exame de escolha para confirmar a proctocolite alérgica. É um procedimento invasivo e o achado não é específico, sendo reservado para casos atípicos ou sem resposta à exclusão.
- A alternativa B sugere testes cutâneos de hipersensibilidade imediata. Esses testes avaliam reações IgE mediadas. A proctocolite alérgica, como a do nosso caso, é uma alergia não IgE mediada, então esses testes geralmente são negativos e não têm valor para confirmar o diagnóstico.
- A alternativa C propõe a dosagem de IgE sérica específica para leite de vaca. Assim como os testes cutâneos, a IgE sérica específica detecta sensibilização IgE mediada. Como a proctocolite é uma condição não IgE mediada, esse exame não seria útil para a confirmação e estaria indicado apenas se houvesse sinais de reação imediata, o que não é o caso aqui.
- Por fim, a alternativa D. O teste de provocação oral com leite de vaca é o padrão ouro para confirmar alergias alimentares não IgE mediadas, como a proctocolite. Após a melhora com a dieta de exclusão, a reintrodução do alérgeno e o retorno dos sintomas confirmam o diagnóstico. Na proctocolite, essa reexposição é geralmente segura e o retorno dos sintomas, como o sangramento, fecha o diagnóstico.
- Então, residente, lembre-se: uma criança de dois meses, com raias de sangue nas fezes e bom estado geral, pense sempre em proctocolite alérgica, e a confirmação virá com o teste de provocação oral.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Atualização em alergia alimentar 2025SBP/ASBAI, 2025 · acesso restrito · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em