- A) A dose de infusão contínua de insulina recomendada é 0,05 a 0,1 UI/kg/hora.
A insulina regular IV contínua começa 1 hora depois do início da hidratação, na dose de 0,05 a 0,1 UI/kg/h (ISPAD 2022); 0,05 pode ser usada em crianças pequenas ou quando a glicemia cai rápido. A infusão só é reduzida após a resolução da acidose, com glicose no soro quando a glicemia fica abaixo de 250 a 300 mg/dL.
- B) A normalização da glicemia é a meta principal do tratamento na primeira hora
A glicemia deve cair de forma gradual, cerca de 36 a 90 mg/dL por hora; queda rápida da osmolalidade aumenta o risco de edema cerebral. A meta do tratamento é corrigir a desidratação, a acidose e a cetose, e não normalizar a glicemia na primeira hora.
- C) A insulinoterapia deve ser iniciada imediatamente em bolus 0,1 UI/kg seguido de infusão contínua 0,1 UI/kg/hora
O bolus de insulina não é recomendado na criança: aumenta o risco de hipocalemia, hipoglicemia e, possivelmente, edema cerebral, sem acelerar a resolução da cetoacidose. A infusão contínua começa sem ataque, 1 hora após iniciar os fluidos.
- D) Na primeira hora de atendimento, o paciente deve receber ressuscitação volêmica com 60 ml/kg solução cristaloide.
Sessenta mL/kg na primeira hora é volume de choque séptico, excessivo na cetoacidose sem choque. A expansão inicial é de 10 a 20 mL/kg em 20 a 30 minutos, repetida se a perfusão continuar ruim, e o restante do déficit (5 a 10% do peso) é reposto em 24 a 48 horas.
Resumo para lembrar
Cetoacidose grave (pH <7,1 ou bicarbonato <5): expansão com 10 a 20 mL/kg de soro fisiológico em 20 a 30 minutos, repetida se preciso, e reposição do déficit em 24 a 48 h. Insulina regular IV contínua 0,05 a 0,1 UI/kg/h, sem bolus, 1 h após iniciar a hidratação; potássio no soro assim que K <5,5 mEq/L com diurese. A meta é corrigir a acidose, não normalizar a glicemia.