Adolescente de 12 anos, comparece ao pronto atendimento em Ribeirão Preto com história de cefaleia, mal-estar e febre há 4 dias. A febre inicialmente era a cada 6 horas, tendo ficado no dia anterior 12 horas afebril e com melhora do estado geral. Hoje a febre voltou a ocorrer em intervalos mais curtos de 4 horas além do aparecimento de dor importante em membros inferiores e 3 episódios de vômitos, sendo o último com presença de raias de sangue. Relata ainda aparecimento de vermelhidão nas pernas e algumas pintas vermelhas no corpo. Os sinais vitais avaliados estão dentro da normalidade. Havia realizado um hemograma no dia anterior que evidenciava: Hemoglobina 18,2 g/dL; hematócrito 48%; glóbulos brancos 1800/ uL (500 neutrófilos, 1200 linfócitos); plaquetas 80.000/uL. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual a melhor conduta?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso de pediatria, que nos traz um adolescente de doze anos...
- Ele comparece ao pronto atendimento em Ribeirão Preto, e essa informação da localidade é importante, viu...
- A história é de cefaleia, mal-estar e febre há quatro dias. A febre tinha um padrão inicial, mas o que chama a atenção é que...
- E hoje a febre voltou em intervalos mais curtos, com piora do quadro, além do aparecimento de uma dor importante em membros inferiores...
- Ele também teve três episódios de vômitos, e o último, atenção, com presença de raias de sangue. Isso é um dado crucial...
- Ainda relata vermelhidão nas pernas e algumas pintas vermelhas no corpo, o que nos faz pensar em petéquias...
- Os sinais vitais estão normais, mas o hemograma do dia anterior é que nos dá muitas pistas. Veja bem: a hemoglobina está em dezoito vírgula dois gramas por decilitro e o hematócrito em quarenta e oito por cento...
- Os glóbulos brancos estão em mil e oitocentos por microlitro, com quinhentos neutrófilos e mil e duzentos linfócitos, indicando leucopenia...
- E as plaquetas estão em oitenta mil por microlitro, o que é uma plaquetopenia importante...
- Então, juntando a epidemiologia de Ribeirão Preto, a febre com piora após a defervescência, a dor intensa em membros inferiores, os vômitos com raias de sangue, as pintas vermelhas e, principalmente, a hemoconcentração, leucopenia e plaquetopenia nos exames, a gente tem um quadro clássico de...
- Todos esses achados, especialmente os vômitos persistentes com sangramento de mucosa e a hemoconcentração, classificam este paciente como Grupo C, que exige uma conduta específica e imediata...
- Agora, vamos às alternativas. A alternativa A sugere coletar líquor, hemograma, hemocultura e iniciar antibiótico. Mas veja, não temos sinais meníngeos ou de toxemia grave que justifiquem essa investigação invasiva para meningite ou meningococcemia...
- Embora a febre maculosa seja endêmica na região, o quadro laboratorial com leucopenia e plaquetopenia e a hemoconcentração apontam muito mais para dengue, e não para febre maculosa, que teria outro tratamento...
- A alternativa B propõe iniciar antibiótico de amplo espectro e solicitar avaliação de oncologista. No entanto, a leucopenia com neutropenia e a plaquetopenia são achados esperados e transitórios na dengue, não indicando leucemia ou neutropenia febril...
- Focar em antibióticos ou avaliação oncológica atrasaria a hidratação, que é o tratamento que realmente muda o prognóstico da dengue, especialmente em um caso com sinais de alarme...
- A alternativa C sugere prescrever ondansetrona intramuscular e soroterapia via oral. Mas a hidratação oral é indicada apenas para os grupos A e B da dengue, aqueles sem sinais de alarme...
- Nosso paciente, com sangramento de mucosa, vômitos repetidos e hemoconcentração, é um Grupo C e precisa de soro venoso imediato. O antiemético pode ajudar, mas não substitui a reposição volêmica adequada...
- Por fim, a alternativa D propõe coletar hemograma e prescrever soro fisiológico dez mililitros por quilo em uma hora. Esta é a conduta correta...
- A febre há quatro dias com piora após a melhora inicial, os vômitos com sangue, as petéquias, o hematócrito elevado e as alterações no hemograma, como a leucopenia e a plaquetopenia, indicam claramente dengue com sinais de alarme...
- A conduta para o Grupo C é exatamente essa: iniciar a reposição volêmica com soro fisiológico a dez mililitros por quilo em uma hora, e o hemograma é essencial para acompanhar a evolução do hematócrito, com reavaliação constante do paciente...
- Então, em um adolescente de doze anos, com febre e sinais de alarme como vômitos com sangue e hemoconcentração, pense sempre em dengue com sinais de alarme e na necessidade de hidratação venosa imediata.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criançaMinistério da Saúde, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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