Adolescente, masculino, 14 anos, previamente hígido, procura atendimento após ter 4 dias de febre, cefaleia e dores no corpo, referindo queda da febre nas últimas 12 horas. Apresenta dor abdominal intensa e contínua. Exame físico: PA 100×70 mmHg em decúbito e 90×70 mmHg em ortostatismo, FC 112 bpm, enchimento capilar de 3 segundos. O hematócrito aumentou de 40% para 47% em 24 horas. Não há sangramento ativo nem sinais de disfunção orgânica estabelecida. De acordo com a classificação de risco e estadiamento clínico da dengue, este paciente deve ser classificado e tratado como:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o enunciado com calma, destacando os pontos importantes. Primeiro, temos um adolescente, do sexo masculino, com 14 anos de idade. Essa idade é importante porque ainda estamos falando de pediatria, mas já é um paciente maior, o que pode influenciar um pouco a apresentação e o manejo, embora os critérios de dengue sejam bem estabelecidos.
- Ele estava previamente hígido, o que significa que não tinha comorbidades conhecidas que pudessem complicar o quadro ou alterar o risco basal.
- O paciente procura atendimento após ter quatro dias de febre, cefaleia e dores no corpo. A duração dos sintomas é crucial, pois a fase crítica da dengue geralmente ocorre na defervescência, entre o terceiro e o sétimo dia de doença.
- E, de fato, ele refere queda da febre nas últimas 12 horas. Isso confirma que ele está entrando ou já está na fase de defervescência, que é o período de maior atenção para o surgimento dos sinais de alarme e complicações da dengue.
- Um dado muito importante é que ele apresenta dor abdominal intensa e contínua. Essa é uma das principais bandeiras vermelhas, um sinal de alarme clássico da dengue.
- No exame físico, a pressão arterial é de 100 por 70 milímetros de mercúrio em decúbito e cai para 90 por 70 milímetros de mercúrio em ortostatismo. Essa hipotensão postural é outro sinal de alarme importante, indicando um possível extravasamento plasmático.
- A frequência cardíaca está em 112 batimentos por minuto. Essa taquicardia pode ser uma resposta compensatória à desidratação ou ao extravasamento de volume.
- O enchimento capilar de três segundos também é um achado preocupante, pois indica lentificação do fluxo sanguíneo periférico, outro sinal de alarme de hipovolemia ou choque iminente.
- Por fim, o hematócrito aumentou de 40 por cento para 47 por cento em 24 horas. Um aumento de 20 por cento ou mais no hematócrito basal, ou um hematócrito acima dos valores de referência para a idade e sexo, é um sinal claro de hemoconcentração, que é um dos mais importantes sinais de alarme da dengue, indicando extravasamento plasmático significativo.
- O enunciado ainda nos informa que não há sangramento ativo nem sinais de disfunção orgânica estabelecida, o que nos ajuda a diferenciar de quadros mais graves de choque ou dengue grave.
- Com todos esses dados, percebemos que o paciente está na fase de defervescência e apresenta múltiplos sinais de alarme: dor abdominal intensa e contínua, hipotensão postural, enchimento capilar lentificado e hemoconcentração.
- A presença desses sinais de alarme, sem evidência de choque instalado ou disfunção orgânica grave, classifica o paciente no Grupo C da dengue, que requer internação e manejo específico.
- A alternativa A sugere Grupo A, com hidratação oral domiciliar. Isso está incorreto porque o Grupo A é para pacientes sem sinais de alarme e sem condições especiais, o que definitivamente não é o caso do nosso paciente, que tem vários sinais de alarme.
- A alternativa B propõe Grupo B, com hidratação oral supervisionada. Essa opção também está incorreta. O Grupo B é para pacientes sem sinais de alarme, mas com alguma condição de risco ou sangramento espontâneo de pele, não para quem já tem sinais de alarme como o nosso paciente.
- A alternativa D fala em Grupo D, com expansão rápida de volume e admissão em UTI. Isso estaria indicado se o paciente estivesse em choque, com hipotensão em decúbito, pressão de pulso convergente, extremidades frias, ou disfunção de órgão grave. Nosso paciente tem hipotensão postural e sinais de extravasamento, mas ainda não choque instalado, então o Grupo D não se aplica neste momento.
- A alternativa C é a correta. O paciente se encaixa no Grupo C, pois apresenta sinais de alarme da dengue, mas ainda não está em choque. O manejo inclui reposição volêmica imediata com 10 mililitros por quilo de soro fisiológico a 0,9 por cento em uma hora, exames obrigatórios e internação para monitorização rigorosa.
- Então, uma criança ou adolescente na fase de defervescência da dengue, com dor abdominal intensa, hipotensão postural e hemoconcentração, sempre deve ser classificado como Grupo C e internado para hidratação venosa e monitorização.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criançaMinistério da Saúde, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.