João nasceu de parto eutócico, a termo, com peso adequado para a idade gestacional e sem intercorrências. A Sra. Ana, mãe de João, relatou gestação dentro dos padrões da normalidade. João teve alta da maternidade com as vacinas BCG e hepatite B. Aos dois meses de vida foi à clínica da família para a vacinação de rotina. Ao retornar à casa, após 40 min da vacinação, a Sra. Ana percebeu que João estava molinho, não respondia aos estímulos e se assustou com a palidez facial dele. Retornou imediatamente para a unidade de saúde, mas felizmente, durante o trajeto, percebeu que João já estava bem, ativo e reativo. Qual alternativa apresenta o diagnóstico, o fator desencadeante mais provável e a conduta a ser adotada na vacinação futura de João?
Preposição ausente no enunciado original.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Primeiro, vamos olhar a idade do João... Ele tem dois meses de vida, o que é importante para o calendário vacinal e para entender a apresentação de alguns eventos adversos.
- A mãe percebeu os sintomas quarenta minutos após a vacinação... Esse tempo é crucial para a gente diferenciar o tipo de reação.
- E quais foram os sintomas? João estava "molinho", "não respondia aos estímulos" e com "palidez facial"... Essa tríade é bem característica de um evento adverso específico.
- O mais importante é que, "durante o trajeto", ele "já estava bem, ativo e reativo"... Isso nos diz que a recuperação foi espontânea e completa, sem sequelas.
- Juntando o tempo de início, que foi quarenta minutos depois da vacina, com a apresentação de hipotonia, hiporresponsividade e palidez, e a recuperação espontânea... Tudo isso nos leva a pensar em um episódio hipotônico-hiporresponsivo.
- A vacina de rotina aos dois meses inclui a pentavalente, que contém o componente pertussis de células inteiras... E é justamente essa vacina que está associada a esse tipo de evento.
- Vamos analisar a alternativa A. Ela fala em "reflexo vagal" e em "aplicação de três vacinas injetáveis simultaneamente"... O reflexo vagal geralmente acontece segundos a minutos após a injeção, e é mais comum em adolescentes, não em um bebê de dois meses. Além disso, não há motivo para separar as vacinas.
- A alternativa B sugere "estado pós-comicial generalizado"... Mas a mãe não descreveu nenhum sinal de crise convulsiva, como movimentos anormais ou desvio do olhar. A recuperação foi rápida e completa, mas sem os sinais de uma convulsão.
- A alternativa D propõe "crise convulsiva febril"... Mas o João não teve febre, e crises febris são mais comuns em crianças mais velhas, entre seis meses e cinco anos. E, novamente, não houve movimentos convulsivos.
- Agora, a alternativa C. Ela descreve o quadro como um "Episódio hipotônico hiporresponsivo", que é exatamente o que vimos no João, desencadeado pela "vacina pentavalente"... E a conduta de "troca do esquema para a vacina pertussis acelular" está correta, pois as próximas doses do componente pertussis devem ser com a vacina acelular, que é mais segura nesse caso.
- Então, lembre-se: em um lactente de dois meses, que apresenta hipotonia, palidez e hiporresponsividade cerca de quarenta minutos após a vacinação com a pentavalente, pense sempre em episódio hipotônico-hiporresponsivo.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ediçãoMinistério da Saúde, 2023 · conferida em 28/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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