Lactente do sexo feminino, 2 meses e 15 dias de vida, sem comorbidades, em aleitamento materno livre demanda. Mãe queixa-se de que o bebê vomita demais; sempre após as mamadas, paciente apresenta regurgitação em grande quantidade. Relata que paciente evacua diariamente, fezes pastosas, sem sangue. Nega choro excessivo ao longo do dia ou irritabilidade. Nasceu a termo, recebeu alta com 2 dias de vida, P = 3.200 gramas. Ao exame físico, apresenta-se bem ativo, tranquilo, abdômen semigloboso, flácido, indolor, sem massas ou VCMG. Marcos do desenvolvimento adequados. Dados antropométricos: P = 5.200_gramas; C = 60 cm. Considerando as informações apresentadas, assinale a alternativa correta.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Primeiro, vamos olhar a idade da nossa paciente: ela tem 2 meses e 15 dias de vida.
- A mãe se queixa que o bebê vomita demais e apresenta regurgitação em grande quantidade, sempre após as mamadas.
- É importante notar que as fezes são pastosas e sem sangue, o que nos tranquiliza quanto a sangramentos gastrointestinais.
- A mãe nega choro excessivo ao longo do dia ou irritabilidade, o que sugere que o bebê não está sentindo dor ou desconforto significativo com a regurgitação.
- Ao exame físico, a bebê está bem ativa e tranquila, com abdômen normal e marcos do desenvolvimento adequados.
- Os dados antropométricos mostram que ela nasceu com 3.200 gramas e agora pesa 5.200 gramas. Isso significa que ela ganhou 2.000 gramas em cerca de dois meses e meio, um ganho de peso excelente.
- Juntando todas essas informações, temos uma lactente jovem que regurgita bastante, mas está bem, sem sinais de dor, sem sangue nas fezes, com exame físico normal e, o mais importante, com um ganho de peso adequado.
- Esse quadro é clássico de refluxo gastroesofágico fisiológico do lactente, que é muito comum nessa faixa etária e geralmente se resolve espontaneamente.
- A alternativa A sugere que se trata de um quadro de alergia à proteína do leite de vaca, com necessidade de exclusão da proteína da dieta materna.
- Essa alternativa está incorreta porque, para suspeitarmos de alergia à proteína do leite de vaca, precisaríamos de outros sinais, como sangue nas fezes, dermatite atópica, baixo ganho de peso ou irritabilidade importante, o que não temos aqui. A regurgitação isolada, sem outros sintomas de alarme, não indica alergia.
- A alternativa B fala em doença do refluxo esofágico, indicando tratamento com inibidor de bomba de prótons e travesseiro antirrefluxo.
- Essa alternativa também está incorreta. A doença do refluxo gastroesofágico é diferente do refluxo fisiológico e exige sintomas mais graves, como esofagite, baixo ganho de peso ou dor. Além disso, inibidor de bomba de prótons não é indicado para refluxo fisiológico, e o travesseiro antirrefluxo não é recomendado para sono seguro em lactentes.
- A alternativa C sugere que se trata de overfeeding, ou seja, excesso de alimentação, e orienta suspender o aleitamento em livre demanda para estabelecer horários fixos.
- Essa alternativa está incorreta. O ganho de peso da bebê é excelente, o que descarta overfeeding como um problema. Além disso, o aleitamento materno em livre demanda é a recomendação padrão e não deve ser suspenso sem uma justificativa clínica clara, o que não é o caso aqui.
- A alternativa D afirma que se trata de refluxo fisiológico do lactente e orienta tranquilizar a mãe, medidas posturais e manter o aleitamento em livre demanda.
- Essa alternativa está correta. O quadro é de refluxo fisiológico, e a conduta adequada é tranquilizar os pais, orientar sobre medidas posturais seguras para o sono, como o decúbito dorsal em superfície plana, e manter o aleitamento materno em livre demanda, que está funcionando muito bem para o ganho de peso da bebê.
- Então, criança de dois meses, com regurgitação, mas que está bem, ganhando peso e sem sinais de alarme, pense sempre em refluxo gastroesofágico fisiológico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Doença do refluxo gastroesofágicoSBP, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.