Lactente, três meses, em aleitamento materno exclusivo, vem apresentando há 10 dias choro excessivo, raias de sangue e muco nas fezes. Dorme bem à noite, tem bom ganho ponderal e não há história familiar de alergias. Exame físico: sem alterações. Assinale a opção correta em relação à conduta.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico, que nos traz informações bem importantes para o diagnóstico e a conduta.
- A idade de três meses é crucial, pois estamos falando de um lactente jovem, e isso direciona nossas hipóteses diagnósticas.
- O fato de estar em aleitamento materno exclusivo é um dado chave, pois a dieta da mãe pode influenciar o bebê, especialmente em casos de alergia alimentar.
- O choro excessivo há dez dias é um sintoma inespecífico, mas que pode indicar desconforto e deve ser considerado junto com outros achados.
- A presença de raias de sangue e muco nas fezes é um sinal de alerta importante, sugerindo uma irritação ou inflamação no trato gastrointestinal.
- É muito relevante que o bebê durma bem e tenha bom ganho ponderal, pois isso nos mostra que, apesar dos sintomas, o estado geral da criança está preservado, o que afasta quadros mais graves de desnutrição ou doença sistêmica.
- A ausência de história familiar de alergias não exclui a possibilidade de uma alergia alimentar no bebê, mas é um dado a ser notado.
- E, por fim, o exame físico sem alterações reforça ainda mais que a criança está em bom estado geral, o que nos ajuda a direcionar o diagnóstico para condições menos agressivas.
- Juntando todos esses dados, temos um lactente de 3 meses, em aleitamento materno exclusivo, com sangue e muco nas fezes, choro excessivo, mas com bom estado geral e ganho ponderal adequado.
- Esse quadro é bastante sugestivo de proctocolite alérgica induzida por proteína do leite de vaca, que é uma condição benigna e autolimitada, mas que precisa de uma conduta adequada.
- Apesar do sangramento, a ausência de comprometimento do estado geral nos tranquiliza e nos permite pensar em uma abordagem que preserve o aleitamento materno.
- Agora, vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas.
- A alternativa A sugere tranquilizar os pais e manter o aleitamento materno sem outros procedimentos.
- Essa conduta está incorreta porque, embora tranquilizar os pais seja importante, a presença de sangramento persistente nas fezes exige uma avaliação e acompanhamento, não podemos simplesmente ignorar o sintoma.
- A alternativa B propõe explicar as graves consequências e adicionar uma fórmula extensivamente hidrolisada ao aleitamento materno.
- Essa alternativa está incorreta porque o caso não justifica alarmismo, já que o bebê está bem, e não devemos acrescentar fórmula automaticamente, especialmente uma extensivamente hidrolisada, sem antes tentar outras abordagens que preservem o aleitamento exclusivo.
- A alternativa C sugere deixar claros os riscos da situação e recomendar uma fórmula de aminoácidos exclusiva por 15 dias.
- Essa opção também está incorreta, pois uma fórmula de aminoácidos exclusiva é uma medida desproporcional para um quadro de proctocolite alérgica com bom estado geral, sendo reservada para casos mais graves ou refratários.
- Por fim, a alternativa D nos diz para tranquilizar quanto à transitoriedade do sintoma, retirando da alimentação materna o leite de vaca e seus derivados.
- Esta é a alternativa correta. A proctocolite alérgica é uma condição transitória, e a primeira linha de tratamento para lactentes em aleitamento materno exclusivo é a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta da mãe, com orientação nutricional para garantir a adequação da dieta materna e posterior confirmação diagnóstica com reintrodução.
- Então, em um lactente de três meses, com raias de sangue e muco nas fezes, mas com bom estado geral e ganho ponderal, pense sempre em proctocolite alérgica e na exclusão da proteína do leite de vaca da dieta materna.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 2
- Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar — parte 1SBP/ASBAI, 2018 · conferida em 22/09/2026
- Atualização em alergia alimentar 2025SBP/ASBAI, 2025 · acesso restrito · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.