Lactente com sete meses de idade comparece ao serviço de saúde com relato de ter iniciado, há dois meses, quadro de diarreia, declínio do ganho de peso e distensão abdominal. Recebeu aleitamento materno até os quatro meses, que foi suspenso após introdução de fórmula infantil à base de leite de vaca. Início de glúten na dieta há um mês. Nega história de atopia, doenças autoimunes ou doença celíaca em familiares. Paciente sem história de atopias. Diante do quadro clínico, assinale a alternativa CORRETA para a abordagem inicial deste caso:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um lactente de sete meses de idade, e essa informação é crucial porque a idade do paciente nos ajuda a direcionar as hipóteses diagnósticas e as condutas adequadas para essa faixa etária.
- Ele apresenta um quadro de diarreia que já dura dois meses, o que caracteriza uma diarreia crônica. A duração do sintoma é muito importante para diferenciar de quadros agudos.
- Junto com a diarreia, há um declínio no ganho de peso, que é um sinal de alerta para má absorção ou desnutrição, e nos indica que o problema está afetando o estado nutricional da criança.
- A distensão abdominal também é um achado relevante, sugerindo um processo inflamatório ou de má digestão no trato gastrointestinal.
- A história de aleitamento materno até os quatro meses, que foi suspenso, é importante para entendermos o histórico alimentar do bebê.
- O detalhe crucial é que os sintomas começaram após a introdução de fórmula infantil à base de leite de vaca. Essa relação temporal é um forte indício de que o leite de vaca pode ser o agente causador.
- O início do glúten na dieta há um mês também é um dado a ser considerado, pois pode ser um gatilho para outras condições, como a doença celíaca, mas é mais recente que a introdução da fórmula.
- A negação de história familiar de atopia, doenças autoimunes ou doença celíaca, assim como a ausência de história pessoal de atopias, nos afasta um pouco de algumas condições com forte componente genético ou alérgico IgE mediado.
- Juntando os dados, temos um lactente com sintomas gastrointestinais crônicos e baixo ganho de peso, que surgiram após a introdução de fórmula de leite de vaca. Isso nos leva a pensar primeiramente em uma alergia à proteína do leite de vaca, provavelmente não IgE mediada, dada a ausência de história de atopia e o tipo de sintoma.
- Embora o glúten tenha sido introduzido recentemente, a relação temporal mais forte é com o leite de vaca, e a abordagem inicial deve focar na hipótese mais provável.
- Vamos analisar a alternativa A. Recomendar bebidas vegetais como leite de arroz, aveia e amêndoas para um lactente de sete meses não é adequado, pois elas não fornecem os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento nessa idade.
- A alternativa B sugere fórmulas sem leite de vaca e dieta sem glúten. A exclusão de glúten antes de uma investigação adequada pode dificultar o diagnóstico de doença celíaca, caso ela exista. Além disso, preferir fórmulas com lactose não seria ideal se a suspeita é de alergia à proteína do leite de vaca.
- A alternativa D propõe solicitar exames como teste de IgE para leite de vaca e dosagem de IgA sérica e antitransglutaminase IgA. O teste de IgE é para alergias IgE mediadas, que não é a principal suspeita aqui. Os exames para doença celíaca (IgA e antitransglutaminase) são importantes, mas a abordagem inicial para a suspeita de alergia à proteína do leite de vaca não IgE mediada geralmente começa com a dieta de exclusão.
- Agora, vamos para a alternativa C. A suspensão total da ingestão de leite de vaca e seus derivados por duas a quatro semanas, seguida de um teste de provocação oral, é a conduta padrão para confirmar o diagnóstico de alergia à proteína do leite de vaca não IgE mediada. Se os sintomas melhorarem com a exclusão e retornarem com a provocação, o diagnóstico é estabelecido.
- Então, para revisar rapidamente, em uma criança de sete meses, com diarreia crônica e baixo ganho de peso após a introdução de fórmula de leite de vaca, pense sempre em alergia à proteína do leite de vaca não IgE mediada.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Atualização em alergia alimentar 2025SBP/ASBAI, 2025 · acesso restrito · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.