Pré-escolar, 14 meses de vida, feminina, é acompanhado no ambulatório I com diagnóstico de anemia falciforme pelo teste do pezinho (FS). Mãe relata palidez súbita e desconforto da criança. Nega febre. Exame físico: regular estado geral, descorada 3+/4+, anictérica, acianótica, taquicárdica, afebril. AR: sem alterações. ACV: sopro holossistólico, taquicardia, FC = 160 bpm. Abdômen: fígado não palpável. Baço = 4 cm do rebordo costal esquerdo. Exames laboratoriais: hemoglobina = 5,8 g/dL; leucócitos = 8.900/mm³ (distribuição normal); contagem de plaquetas = 140.000/mm³. A conduta inicial na emergência é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Temos uma criança de 14 meses, o que nos diz que ela ainda está na primeira infância e é mais vulnerável a certas condições.
- O diagnóstico de base é anemia falciforme, confirmado pelo teste do pezinho. Isso é crucial porque direciona todo o nosso raciocínio para as complicações dessa doença.
- A mãe relata palidez súbita e desconforto, indicando uma piora aguda do quadro da criança, o que exige uma avaliação emergencial.
- É importante notar que a mãe nega febre, o que nos ajuda a afastar, pelo menos inicialmente, um processo infeccioso como a causa principal da piora súbita.
- No exame físico, a criança está descorada 3+/4+, o que confirma a palidez grave e sugere uma anemia importante.
- Ela está taquicárdica, com frequência cardíaca de 160 batimentos por minuto, e afebril. A taquicardia é um sinal de compensação cardiovascular à anemia ou a um estado de choque.
- A presença de sopro holossistólico e a taquicardia de 160 batimentos por minuto reforçam a sobrecarga cardíaca e a necessidade de atenção imediata à condição hemodinâmica.
- O achado mais relevante no abdômen é o baço aumentado, palpável a 4 centímetros do rebordo costal esquerdo. Em uma criança falciforme com anemia aguda, isso é um sinal cardinal.
- Os exames laboratoriais confirmam uma anemia grave, com hemoglobina de 5,8 gramas por decilitro, o que é um valor crítico para essa idade.
- A contagem de leucócitos está normal, o que corrobora a ausência de febre e afasta uma infecção bacteriana aguda como causa principal da anemia.
- As plaquetas estão em 140.000/mm³, um valor limítrofe, mas que não indica uma plaquetopenia grave que justificaria uma intervenção específica para plaquetas neste momento.
- Juntando a anemia falciforme, a palidez súbita, a taquicardia, a esplenomegalia e a anemia grave, o quadro é muito sugestivo de uma crise de sequestro esplênico agudo.
- Nessa condição, o baço retém uma grande quantidade de sangue, levando à hipovolemia e anemia aguda, que pode evoluir para choque hipovolêmico.
- O tratamento principal é a transfusão de hemácias, mas precisamos ser cautelosos. O baço pode liberar as hemácias sequestradas de volta para a circulação, o que pode levar a uma sobrecarga volêmica se transfundirmos muito rapidamente.
- A alternativa A propõe uma transfusão de 15 mililitros por quilo, que é um volume maior de início. Isso aumenta o risco de hiperviscosidade após a remobilização das hemácias do baço, o que não é o ideal.
- A alternativa B sugere transfusão de plaquetas e esplenectomia imediata. Não há indicação para transfusão de plaquetas, já que a contagem não está criticamente baixa, e a esplenectomia não é uma conduta inicial de emergência para a crise aguda.
- A alternativa D também inclui transfusão de plaquetas sem justificativa e propõe um volume de 10 mililitros por quilo sem priorizar a titulação e reavaliação, o que é menos seguro que uma alíquota menor.
- A alternativa C é a mais adequada. Transfundir uma alíquota menor de hemácias, de 5 mililitros por quilo, permite reavaliar a condição hemodinâmica e o tamanho do baço antes de administrar mais sangue, minimizando o risco de sobrecarga e hiperviscosidade.
- Em uma criança com anemia falciforme, que apresenta palidez súbita, taquicardia e esplenomegalia, pense sempre em crise de sequestro esplênico e na necessidade de transfusão cautelosa.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Doença falciforme — condutas básicas para tratamentoMinistério da Saúde / acervo SBP, documento online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.