Adolescente, feminina, 13 anos de idade, dá entrada na emergência acompanhada de sua mãe com queixas de fortes dores abdominais há 24 horas. Anamnese social: mora com a mãe, padrasto e um irmão de 16 anos de idade, filho do primeiro casamento da mãe. Exame físico: vigilante, assustada, monossilábica. Tanner: M4P4. ACV e AR: sem alterações. Abdômen: doloroso à palpação em fossa ilíaca esquerda e região pélvica. Presença de hematomas na região perineal. Considerando a sua hipótese diagnóstica, o pediatra deve
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar este caso de pediatria, que é bem importante e delicado. Primeiro, a idade da paciente é um dado crucial. Temos uma adolescente de 13 anos.
- Ela chega com queixas de fortes dores abdominais há 24 horas. Isso nos indica um quadro agudo e de intensidade considerável, que precisa de atenção.
- O exame físico revela uma paciente vigilante, assustada e monossilábica. Esses são sinais comportamentais muito importantes que sugerem sofrimento psíquico ou trauma.
- O estadiamento de Tanner M4P4 indica que ela está em um estágio avançado de puberdade, o que é relevante para a avaliação de maturidade sexual.
- E aqui está o achado mais alarmante: a presença de hematomas na região perineal. Isso é um sinal físico direto de trauma em uma área muito sensível, levantando uma forte suspeita.
- Juntando os hematomas perineais com o comportamento assustado e monossilábico da adolescente, a gente tem um quadro clínico que aponta fortemente para violência sexual.
- Diante de uma forte suspeita de violência sexual, a nossa prioridade como pediatras é garantir a proteção da vítima e iniciar as condutas de cuidado imediato.
- Agora, vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A sugere solicitar psicologia e coletar sangue para ISTs.
- Essa alternativa está incorreta porque, embora importantes, a avaliação psicológica e os exames não substituem as ações de proteção e notificação que são mandatórias nesse tipo de situação.
- A alternativa B propõe comunicar à polícia e solicitar perícia do IML.
- Esta também está incorreta. A assistência à vítima não pode esperar por procedimentos policiais ou perícia. O cuidado e a proteção são imediatos e não podem ser condicionados a esses trâmites.
- A alternativa D sugere informar à família sobre o abuso e comunicar a polícia.
- Essa alternativa é perigosa e, portanto, incorreta. Revelar o abuso à família sem antes avaliar a segurança da vítima pode expô-la a riscos ainda maiores, especialmente se o agressor for um membro da família.
- Finalmente, a alternativa C nos diz para proteger a vítima, notificar o Conselho Tutelar e fazer profilaxia das ISTs.
- Esta é a alternativa correta. Ela integra a proteção imediata da vítima, a notificação obrigatória às autoridades competentes, como o Conselho Tutelar, e o cuidado médico essencial, que inclui a profilaxia de infecções sexualmente transmissíveis, conforme o resumo nos orienta.
- Então, lembre-se: uma adolescente de 13 anos com sinais de trauma perineal e alteração comportamental, pense sempre em violência sexual e na necessidade de proteção imediata e notificação.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Manual de atendimento às crianças e adolescentes vítimas de violênciaSBP, 2018 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.