Um lactente do sexo masculino, 4 meses de vida, em aleitamento materno exclusivo, é levado à consulta de rotina de puericultura. Há um mês, apresenta quadros recorrentes de fezes mais líquidas, cerca de 4 vezes ao dia; ao menos 1 evacuação por dia com estrias de sangue. Além disso, tem bastante irritabilidade nas mamadas. Não apresentou febre nem lesões de pele. Na avaliação clínica, lactente estava sem alterações ao exame e apresentou ganho de 15 g/dia. Em relação à hipótese diagnóstica e à conduta adequada, assinale a alternativa correta.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Primeiro, vamos olhar a idade do nosso paciente: um lactente de quatro meses de vida. Essa informação é crucial porque as doenças que afetam essa faixa etária são específicas e nos guiam no raciocínio.
- Ele está em aleitamento materno exclusivo, o que nos direciona para a dieta da mãe como possível fonte de alérgenos, já que tudo que a mãe come pode passar para o leite.
- Há um mês, ele tem quadros recorrentes de fezes mais líquidas, cerca de quatro vezes ao dia. Essa cronicidade e a mudança no padrão das fezes já nos acendem um alerta para algo que não é agudo.
- E o mais importante: ao menos uma evacuação por dia com estrias de sangue. Sangue nas fezes em lactente é um sinal de alerta muito importante e precisa ser investigado.
- Ele também apresenta bastante irritabilidade nas mamadas, o que pode indicar desconforto gastrointestinal relacionado à alimentação, um sintoma comum em algumas condições.
- É importante notar que ele não teve febre nem lesões de pele, o que afasta algumas causas infecciosas ou outras manifestações alérgicas mais sistêmicas, direcionando nosso foco.
- Apesar dos sintomas, o lactente estava sem alterações ao exame e com um bom ganho de peso de quinze gramas por dia, o que é um dado tranquilizador em relação ao estado nutricional geral e afasta doenças graves com comprometimento do crescimento.
- Juntando todos esses pontos, temos um lactente em aleitamento materno exclusivo com proctocolite alérgica, que é a presença de sangue nas fezes, e irritabilidade, mas sem comprometimento do estado geral.
- A principal suspeita diagnóstica para esse quadro, especialmente com as estrias de sangue e a irritabilidade nas mamadas, é a alergia à proteína do leite de vaca, uma condição comum em lactentes.
- A conduta inicial para confirmar e tratar a APLV em lactentes amamentados é a dieta de exclusão de proteína do leite de vaca pela mãe, pois o alérgeno pode estar passando para o leite materno.
- Se a mãe não puder ou não quiser fazer a dieta de exclusão, precisamos de uma fórmula adequada para a APLV, que não contenha as proteínas intactas do leite de vaca.
- A alternativa A acerta na hipótese diagnóstica de alergia à proteína do leite de vaca, mas erra na conduta de solicitar IgE específico.
- O quadro de proctocolite alérgica com sangramento nas fezes é uma manifestação de APLV não IgE mediada, onde o IgE específico geralmente é negativo e não ajuda no diagnóstico. O diagnóstico é clínico e por teste de provocação.
- A alternativa B sugere colite infecciosa e uma conduta muito agressiva, o que não se encaixa no quadro clínico do nosso paciente.
- O lactente não tem febre, está com bom ganho de peso e sem sinais de toxemia, o que afasta uma infecção grave que justificasse internação e antibiótico empírico.
- A alternativa C também acerta na hipótese de APLV, mas erra gravemente ao indicar a fórmula parcialmente hidrolisada.
- Fórmulas parcialmente hidrolisadas não são indicadas para o tratamento de APLV, pois ainda contêm peptídeos grandes que podem desencadear a reação alérgica.
- Por fim, a alternativa D acerta tanto na hipótese diagnóstica quanto na conduta para o caso de a mãe não poder ou não querer fazer a dieta de exclusão.
- A fórmula extensamente hidrolisada é a indicada para lactentes com APLV, pois suas proteínas são quebradas em peptídeos muito pequenos, minimizando o risco de reação alérgica.
- Em um lactente com sangramento nas fezes e irritabilidade, mas bom estado geral, pense sempre em alergia à proteína do leite de vaca.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Atualização em alergia alimentar 2025SBP/ASBAI, 2025 · acesso restrito · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.