Um menino de sete anos de idade é levado ao pronto-socorro pela mãe devido a episódios de tosse intensa, que ocorrem há duas semanas. Inicialmente, a tosse era leve e ocasional, mas nos últimos dias, ela se agravou, apresentando episódios seguidos de uma inspiração profunda e estridente. A mãe relata que, durante os acessos de tosse, a criança parece ficar sem ar e tem dificuldade para se recuperar entre os episódios. Ele não apresenta febre significativa e não tem histórico de doenças respiratórias anteriores. Diante desse quadro, qual é o agente etiológico mais provável?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar o caso clínico. Primeiro, temos um menino de sete anos de idade. Essa informação é importante porque nos ajuda a pensar nas doenças mais comuns para essa faixa etária, que é a de escolares.
- Ele é levado ao pronto-socorro por causa de uma tosse intensa, que já dura há duas semanas. O tempo de evolução e a intensidade da tosse são dados cruciais para o diagnóstico.
- A mãe relata que, no início, a tosse era leve e ocasional. Isso sugere uma progressão da doença, começando de forma mais branda.
- Mas nos últimos dias, a tosse se agravou, e ele começou a ter episódios seguidos de uma inspiração profunda e estridente. Essa descrição é muito característica e nos direciona para um diagnóstico específico.
- A mãe também observa que, durante esses acessos de tosse, a criança parece ficar sem ar e tem dificuldade para se recuperar entre os episódios. Isso reforça a gravidade dos paroxismos.
- Um dado importante é que ele não apresenta febre significativa. A ausência de febre nos ajuda a descartar algumas causas e a considerar outras.
- Por fim, ele não tem histórico de doenças respiratórias anteriores. Isso significa que não estamos lidando com uma exacerbação de uma condição crônica, mas sim com um quadro agudo primário.
- Juntando a idade do paciente, que é um escolar, com a evolução da tosse, que começou leve e se agravou, e a característica mais marcante, que são os episódios de tosse seguidos de uma inspiração profunda e estridente, conhecida como guincho, temos um quadro bem sugestivo.
- A ausência de febre significativa, como vimos, é um achado que corrobora ainda mais a nossa principal hipótese diagnóstica para esse tipo de apresentação clínica.
- Considerando todos esses pontos, o quadro se encaixa perfeitamente na fase paroxística de uma doença específica, que é a coqueluche.
- Agora, vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere Micoplasma. O Micoplasma pneumoniae pode causar tosse prolongada em escolares, sim, mas geralmente vem acompanhado de febre e mal-estar, e o mais importante, não causa os paroxismos seguidos de guincho inspiratório que o nosso paciente apresenta.
- A alternativa B fala em Parainfluenza. O vírus Parainfluenza é a principal causa do crupe, ou laringotraqueíte, que se manifesta com tosse ladrante, rouquidão e um estridor inspiratório contínuo. Além disso, o crupe é mais comum em menores de cinco anos e o quadro não é paroxístico como o descrito, nem dura duas semanas.
- A alternativa C menciona o Metapneumovírus. Esse vírus causa bronquiolite e outras infecções respiratórias, com sintomas como febre, coriza e sibilância. No entanto, ele não provoca os acessos de tosse com guincho que são a marca registrada do nosso caso clínico.
- Por fim, a alternativa D, Bordetella pertussis. A tosse que dura duas semanas, evoluindo de leve para paroxismos seguidos de uma inspiração profunda e ruidosa, o famoso guincho, e sem febre, é a descrição clássica da fase paroxística da coqueluche. O agente etiológico da coqueluche é a bactéria Bordetella pertussis. Portanto, essa é a alternativa correta.
- Então, lembre-se: em uma criança escolar com tosse prolongada que evolui para paroxismos com guincho inspiratório e sem febre significativa, pense sempre em coqueluche.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Tosse com guincho: coqueluche — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Guia de Vigilância em Saúde — Coqueluche (Ministério da Saúde, 6ª ed. (2024)) · Coqueluche: diagnóstico, tratamento e prevenção — Departamento de Infectologia e de Imunizações (SBP, 2024) · Pertussis infection in infants and children: Treatment and prevention (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026) · Azithromycin: Pediatric drug information (Lexidrug) (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Coqueluche — vigilância, transmissão e tratamentoMinistério da Saúde, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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