Pré-escolar, 4 anos, sexo masculino, apresenta febre de 38,5 ºC e tosse nas últimas 48 horas. Ao exame, encontra-se prostrado no momento da febre, mas melhora do estado geral quando afebril. Ausculta pulmonar com crepitações finas em base de hemitórax direito, FR: 38 irpm, sem sinais aparentes de esforço,SatO2: 95% em ar ambiente. Qual a conduta?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar essa questão de pediatria. Primeiro, a gente vê que é um pré-escolar, de quatro anos. Essa idade é super importante porque define os limites de frequência respiratória para taquipneia e também os agentes etiológicos mais comuns.
- Ele apresenta febre de 38,5 graus e tosse nas últimas 48 horas. Isso nos indica um quadro agudo de infecção respiratória.
- Um dado importante é que ele se encontra prostrado no momento da febre, mas melhora do estado geral quando afebril. Isso sugere que a prostração é secundária à febre e não um sinal de gravidade intrínseca da doença.
- Ao exame, a ausculta pulmonar revela crepitações finas em base de hemitórax direito. Esse achado é bem característico de pneumonia.
- A frequência respiratória é de 38 incursões respiratórias por minuto. Para uma criança de quatro anos, o limite de taquipneia é de 40 incursões respiratórias por minuto, então ele está sem taquipneia.
- Ele não apresenta sinais aparentes de esforço respiratório, o que é um bom sinal e afasta um quadro de desconforto respiratório grave.
- Por fim, a saturação de oxigênio é de 95 por cento em ar ambiente. Isso significa que não há hipoxemia, outro fator importante para avaliar a gravidade.
- Juntando todos esses dados, temos um pré-escolar com quadro de pneumonia, mas sem sinais de gravidade, como taquipneia, esforço respiratório ou hipoxemia.
- Diante de uma pneumonia não grave em um pré-escolar, o tratamento de escolha é ambulatorial, com amoxicilina oral, pois o principal agente etiológico é o pneumococo.
- A alternativa A propõe internação em enfermaria e iniciar amoxicilina com clavulanato. Essa está incorreta porque a internação não se justifica para esse paciente, que não tem hipoxemia, desconforto respiratório ou comorbidades. Além disso, o clavulanato não acrescenta cobertura contra o pneumococo, que é o principal agente.
- A alternativa B sugere internação em enfermaria e iniciar ceftriaxona endovenosa. Essa também está incorreta. A ceftriaxona endovenosa e a internação são reservadas para casos de pneumonia grave ou complicada, ou para pacientes que não toleram a via oral, o que não é o caso do nosso paciente.
- A alternativa D indica acompanhamento ambulatorial e iniciar azitromicina. Essa opção está incorreta porque a azitromicina, um macrolídeo, é a escolha para pneumonia atípica, geralmente causada por Mycoplasma, que é mais comum em escolares e adolescentes com tosse seca e evolução arrastada. Para uma criança de quatro anos com febre e crepitação localizada, o alvo é o pneumococo, contra o qual a azitromicina tem alta resistência.
- A alternativa C propõe acompanhamento ambulatorial e iniciar amoxicilina. Essa é a conduta correta. Febre, tosse e crepitações localizadas, com frequência respiratória abaixo de 40 incursões respiratórias por minuto, sem esforço e saturação de 95 por cento, configuram uma pneumonia não grave. A amoxicilina oral é o tratamento de escolha para cobrir o pneumococo, e o acompanhamento ambulatorial é adequado para esse quadro.
- Para resumir, uma criança de quatro anos com pneumonia sem sinais de gravidade, como hipoxemia, desconforto respiratório ou taquipneia, deve ser tratada ambulatorialmente com amoxicilina.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Abordagem diagnóstica e terapêutica da PAC não complicadaSBP, 2021 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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