Pontos-chave
- Escopo: 8 dias a 5 anos, só crianças de baixa complexidade (exclui bexiga neurogênica, imunossupressão, prematuridade extrema e anomalia urinária conhecida). Raça saiu da estratificação de risco.1
- Diagnóstico (Tabela 1): inflamação na urina e cultura ≥ 10.000 UFC/mL por sonda (ou punção no < 2 meses) ou ≥ 100.000 por jato médio. Avaliar em até 72 h a febre sem foco (2–24 meses) e os sintomas urinários (2–5 anos).1
- Tratamento por ≤ 7 dias e oral acima de 28 dias (recomendação forte); de 8 a 28 dias, parenteral com troca precoce para oral.1
- USG de rins e vias urinárias na 1ª ITU febril (forte); UCM não é rotina com USG normal; sem profilaxia contínua no RVU de baixo risco; avaliar e tratar a disfunção vesical e intestinal.1
Neste artigo
1O que mudou de 2011 para 2026
A diretriz de 2011 cobria só o lactente febril de 2 a 24 meses e foi aposentada em 2021 pelo uso de raça como fator de risco. A de 2026 é uma revisão completa, não uma reafirmação, feita pelo método GRADE: 8 Key Action Statements (2 fortes e 6 condicionais) e 4 Good Practice Statements.1,2,3
| Tema | AAP 2011 | AAP 2026 |
|---|---|---|
| Faixa etária | 2 a 24 meses, febril | 8 dias a 5 anos, febril ou não, baixa complexidade |
| Raça | Entrava no cálculo de risco | Retirada |
| Urocultura por sonda | ≥ 50.000 UFC/mL + piúria | ≥ 10.000 UFC/mL + inflamação na urina |
| Jato médio | Fora da faixa etária | ≥ 100.000 UFC/mL (2 meses a 5 anos) |
| Tempo para avaliar | Próximas febres: avaliação imediata, de preferência em até 48 h | Até 72 h do início; antes nos de maior risco |
| Duração | 7 a 14 dias | ≤ 7 dias (3–5 na cistite; 5–7 na febril) |
| Via | Oral ou parenteral, com eficácia semelhante | Oral acima de 28 dias (forte); 8–28 dias: parenteral e troca precoce |
| USG | Na 1ª ITU febril | Mantida (forte), para anomalia estrutural, não para RVU |
| UCM | USG alterada, quadro atípico ou recorrência febril | USG alterada ou 2ª ITU febril; opção em < 1 mês, não E. coli, menino circuncidado, curso atípico |
| Profilaxia | Sem benefício demonstrado em RVU I–IV | Contra a rotina no RVU de baixo risco; opção no alto risco |
Montada a partir das duas diretrizes.1,3 A diretriz de 2026 vem com 3 relatórios técnicos (diagnóstico, prevenção e manejo, e ultrassom para RVU) e um kit de implementação com algoritmos.2
2Definição e diagnóstico (Tabela 1)
A AAP define a ITU de "alta probabilidade" pela combinação de marcador de inflamação (leucócitos ou esterase leucocitária) e cultura de um uropatógeno, com limiares que mudam com a idade e o método de coleta.1
| Idade | ITU provável (cultura pendente) | ITU confirmada: urina | ITU confirmada: cultura e coleta |
|---|---|---|---|
| < 2 meses | ≥ 5 leucócitos/campo ou esterase ≥ traços | ≥ 5 leucócitos/campo ou esterase ≥ traços (qualquer coleta) | ≥ 10.000 UFC/mL por sonda ou punção suprapúbica |
| 2 meses a 5 anos | ≥ 10 leucócitos/campo ou esterase ≥ 2+ | ≥ 5 leucócitos/campo ou esterase ≥ 1+ (qualquer coleta) | ≥ 10.000 UFC/mL por sonda; ≥ 100.000 UFC/mL por jato médio |
Tabela 1 da AAP 2026; a cultura é de um uropatógeno, e os leucócitos referem-se a urina não centrifugada.1 Os limiares da urinálise são âncoras de decisão: com probabilidade pré-teste alta (lactente com mau estado geral), colher cultura e tratar mesmo com urinálise duvidosa; com probabilidade baixa, a urinálise duvidosa ajuda a afastar.1
O nitrito tem baixa sensibilidade e alta especificidade para bactérias, mas não indica inflamação e não separa ITU de bacteriúria assintomática. Cultura com vários germes ou não uropatógenos costuma ser contaminação. A cintilografia com DMSA não é necessária no diagnóstico agudo.1
Fatores de risco: idade menor, sexo feminino, menino não circuncidado, febre sem foco, ITU prévia, alteração em exame de imagem, prematuridade e disfunção vesical e intestinal, inclusive constipação. Aleitamento materno e profilaxia em curso reduzem o risco. Calculadoras como o UTICalc ajudam a estimar a probabilidade.1
As fontes divergem: Corte da urocultura por sonda
A AAP 2026 baixou o corte por sonda para ≥ 10.000 UFC/mL de um único uropatógeno, por ganhar sensibilidade sem perda clínica relevante de especificidade.1 O documento da SBP de 2023 ainda usa > 50.000 UFC/mL no cateterismo (o corte da AAP 2011), aceita qualquer contagem na punção suprapúbica e > 100.000 no jato médio.3,4 Nas provas brasileiras, confira qual referência a banca segue.
3Coleta da urina
Sem controle esfincteriano, a cultura deve vir de cateterismo vesical ou punção suprapúbica; com controle, o jato médio é aceito. A chance de conseguir a amostra pesa mais que a idade na escolha do método.1,4
A AAP 2026 não fez recomendação própria sobre a coleta sequencial (saco coletor e, se alterado, sonda) e adotou a diretriz do lactente febril de 8 a 60 dias: urinálise por sonda ou punção e, se positiva, cultura da mesma amostra; ou urinálise por saco ou micção espontânea e, se positiva, cultura por sonda ou punção.1,5
A SBP aceita o saco coletor só para afastar o diagnóstico (se negativo) ou como triagem no quadro leve, quando a demora não piora a evolução; se positivo, repetir por método invasivo. Descreve ainda a técnica de "clean catch" de Fernandes: 25 mL/kg de líquido, espera de 25 minutos e estímulo sacral e suprapúbico com o lactente seguro pelas axilas.4
4Tempo para avaliar (KAS 1)
Na criança sem complexidade médica de 2 a 24 meses com febre sem foco e na de 2 a 5 anos com sintomas sugestivos (disúria, urgência ou polaciúria de início recente), a AAP sugere avaliação para ITU em até 72 h do início, em vez de observação mais longa (recomendação condicional, certeza baixa).1
Antecipar a avaliação no maior risco de pielonefrite ou lesão renal: anomalia estrutural conhecida (hidronefrose, RVU), ITU febril prévia ou sintomas de pielonefrite, como dor no flanco. O mesmo princípio vale para a criança com complexidade médica.1 A SBP orienta suspeitar de ITU em todo lactente com febre sem foco há mais de 24 h.4
5Tratamento: duração, via e escolha
| Risco | Idade e quadro | Duração |
|---|---|---|
| Baixo | ≥ 2 anos, ITU afebril com sintomas de cistite, sem anomalia conhecida | 3–5 dias |
| Baixo | 2 a 24 meses, ITU febril | 5–7 dias |
| Baixo | ≥ 2 anos, pielonefrite clínica (febre ≥ 39 °C), sem anomalia | 5–7 dias |
| Alto | 8 dias a 2 meses | 7–14 dias |
| Alto | Anomalia geniturinária, bacteremia ou má resposta clínica | 7–14 dias |
Quadro-resumo da KAS 2 (condicional, certeza baixa): cursos ≤ 7 dias tiveram recorrência semelhante à dos > 7 dias (RR 0,96) e tendência a menos recorrência resistente.1
Via (KAS 3A e 3B). De 8 a 28 dias, parenteral com troca precoce para oral após a melhora clínica (condicional). De > 28 dias a < 5 anos, oral em vez de parenteral ou sequencial com internação (forte, pela soma de danos evitados: internação, acesso venoso, extravasamento, PICC, custo). Se houver dúvida sobre a família conseguir o antibiótico oral na farmácia, pode-se dar uma dose parenteral antes de passar à via oral.1
Parenteral ou sequencial continuam adequados em 4 grupos: menores de 28 dias, bacteremia associada, criança criticamente doente e intolerância à via oral.1 A SBP indica hospitalização nos menores de 2 meses, nos criticamente doentes e no risco de não adesão, e pede creatinina antes do tratamento, sobretudo com aminoglicosídeo.4
Escolha empírica. Preferir o menor espectro: no paciente não grave e sem complexidade, cefazolina ou cefalexina quando a sensibilidade local passa de 80–85%. Com resistência maior ou intolerância: ceftriaxona, cefixima, sulfametoxazol-trimetoprima ou ciprofloxacino, com cautela e pelo antibiograma local, de preferência de um hospital pediátrico da região.1 A SBP pede cobertura para E. coli com resistência local inferior a 20%, revisão em 48–72 h pelo antibiograma e lembra que antibiótico nos 90 dias anteriores aumenta a chance de resistência.4
| Antibiótico | Uso | Dose pediátrica | Fonte |
|---|---|---|---|
| Cefalexina VO | 1ª linha se sensibilidade local > 80–85%; > 28 dias | 50–100 mg/kg/dia em 4 doses (SBP: 50 mg/kg/dia de 6/6 ou 8/8 h, na cistite) | AAP 2021 e 2011; SBP 20233,4,5 |
| Cefuroxima VO | ITU febril em tratamento oral | 30 mg/kg/dia de 12/12 h (AAP 2011: 20–30 mg/kg/dia em 2 doses) | SBP 2023; AAP 20113,4 |
| Amoxicilina-clavulanato VO | Alternativa; SBP: última opção, pela alteração da flora | 20–40 mg/kg/dia de 8/8 h | SBP 2023; AAP 20113,4 |
| Sulfametoxazol-trimetoprima VO | Só se a resistência local permitir | 6–12 mg/kg/dia de trimetoprima de 12/12 h (30–60 mg/kg/dia de sulfametoxazol) | SBP 2023; AAP 20113,4 |
| Ceftriaxona IV ou IM | Parenteral; dose única antes do oral, se preciso | 75 mg/kg 1×/dia (AAP 2011); de 22 a 60 dias, 50 mg/kg/dose 1×/dia | AAP 2011 e 20213,5 |
| Cefuroxima IV | Pielonefrite com tratamento parenteral | 150 mg/kg/dia de 8/8 h | SBP 20234 |
| Ampicilina + gentamicina IV ou IM | ITU de 8 a 21 dias | Ampicilina 150 mg/kg/dia de 8/8 h + gentamicina 4 mg/kg/dose 1×/dia (ou ceftazidima 150 mg/kg/dia de 8/8 h no lugar da gentamicina) | AAP 20215 |
| Gentamicina IV ou IM | Pielonefrite fora do período neonatal | 5–7,5 mg/kg/dia 1×/dia (AAP 2011: 7,5 mg/kg/dia de 8/8 h) | SBP 2023; AAP 20113,4 |
| Nitrofurantoína VO | Só cistite; nunca na ITU febril | 5–7 mg/kg/dia de 6/6 h | SBP 20234 |
Doses diárias totais, sem o teto por dose; confirme a concentração e a dose máxima na bula do produto. Nitrofurantoína e ácido nalidíxico não atingem concentração no parênquima renal e não tratam pielonefrite.3,4
Se a cultura vier negativa, suspender o antibiótico empírico, salvo se a amostra foi colhida depois de antibiótico. Sem melhora em 48 h, descartar anomalia do trato urinário e ampliar a cobertura; com boa resposta e sensibilidade confirmada, não há necessidade de urocultura de controle.1,4
As fontes divergem: Duração e idade para a via oral
A AAP 2026 sugere ≤ 7 dias e recomenda via oral a partir de 28 dias de vida.1 A SBP de 2023 cita 10 dias na ITU febril (NICE, Itália e Austrália; a AAP de 2011 falava em 7 a 14) e prefere a via oral só a partir dos 3 meses, com internação abaixo de 2 meses.4 No lactente de 29 a 60 dias, a AAP de 2021 já admitia antibiótico oral (cefalexina ou cefixima) na ITU do lactente com bom estado geral.5
6Imagem: USG, UCM e DMSA
KAS 4 (forte): USG de rins e vias urinárias na 1ª ITU febril em menores de 5 anos, para detectar anomalias estruturais ou achados associados ao RVU, não o RVU em si: a sensibilidade para RVU é de cerca de 50% após a 1ª ITU febril e de 26% na recorrente. Cerca de 22% das USG pós-ITU febril são alteradas, mas só 3,1% mudam a conduta (4,5% nos menores de 24 meses). Não precisa ser feita na fase aguda, salvo quadro grave ou atípico.1
KAS 5A: não fazer UCM de rotina após a 1ª ITU febril com USG normal (condicional). É opção em: idade < 1 mês, agente diferente de E. coli, menino circuncidado, curso atípico ou complicado (choque séptico, UTI) e seguimento pouco confiável. KAS 5B: oferecer UCM com USG alterada após a 1ª ITU febril, em todo menor de 2 anos com a 2ª ITU febril e no maior de 2 anos com a 2ª ITU febril sem outra explicação (como disfunção vesical e intestinal).1
A UCM deve ser feita, em geral, depois do tratamento e no ambulatório; durante a internação, só se houver risco de perder o seguimento. A uretrossonografia miccional com contraste (CeVUS) é alternativa sem radiação onde houver experiência (sensibilidade de 93% e especificidade de 91% em metanálise), sem recomendação formal. O DMSA detecta cicatriz e pielonefrite, mas não é rotina.1
As fontes divergem: Quando pedir a uretrocistografia
A AAP 2026 lista indicações objetivas (USG alterada, 2ª ITU febril e subgrupos de 5A).1 O fluxograma da SBP de 2023 indica USG após a ITU tratada e manda considerar a UCM quando há evidência de acometimento do parênquima ou ITU recorrente; recomenda USG como avaliação inicial nos menores de 2 anos com pielonefrite.4 Na prática, as duas reservam a UCM; a AAP é mais explícita sobre quem pode fazê-la já na 1ª ITU.
7RVU e profilaxia antibiótica (KAS 6)
No RVU de baixo risco (graus I–II e sem disfunção vesical e intestinal, excluída a constipação funcional, pelos critérios de Roma), a AAP sugere não usar profilaxia antibiótica contínua de rotina. O grau III é zona cinzenta: a profilaxia é razoável para famílias que valorizam mais a redução incerta de infecções. No alto risco, a profilaxia é opção.1
- RVU de alto risco: grau IV ou V; refluxo intrarrenal; cicatriz renal ou nefropatia demonstradas; anomalias estruturais ou corticais renais ou ureterais; pielonefrite recorrente; bacteremia com internação em UTI; disfunção vesical e intestinal (excluída a constipação funcional).1
- O que a evidência mostra: a profilaxia reduz pouco a ITU de escape (RR 0,78; NNT de 16 em 2 anos), sem diferença em cicatriz renal (RR 1,09), e aumenta a ITU recorrente por germe resistente (RR 1,69; 1 caso a cada 26 tratados).1
- Good Practice Statements: decisão compartilhada com a família; encaminhar à urologia ou nefrologia pediátrica as crianças com RVU ou anomalias de risco (teleconsulta onde não houver acesso presencial); o manejo inclui observação, profilaxia, injeção endoscópica e reimplante ureteral.1
- Se for usar (SBP): um terço a metade da dose terapêutica, 1×/dia, de preferência à noite; nitrofurantoína, sulfametoxazol-trimetoprima (acima de 6 semanas) ou cefalexina (abaixo de 6 semanas). Não usar na reinfecção (< 2 semanas).4
As fontes divergem: Profilaxia até terminar a investigação
A SBP de 2023 indica profilaxia até o fim da investigação em crianças com USG alterada (pré-natal ou atual), RVU graus 4 ou 5, uropatia obstrutiva e ITU recorrente (2 ou mais pielonefrites, 1 cistite e 1 pielonefrite, ou 3 ou mais cistites).4 A AAP 2026 não recomenda profilaxia de rotina no baixo risco, a trata como opção no alto risco e não fala em profilaxia enquanto se espera a UCM; diz que faltam evidências sobre profilaxia em quem não tem RVU.1
8Disfunção vesical e intestinal
Good Practice Statement: em toda criança com ITU, avaliar e tratar a disfunção vesical e intestinal (DVI), incluindo a constipação, para reduzir recorrências. Ela aparece em 40% a 54% das crianças com ITU, atrasa a resolução espontânea do RVU e aumenta a ITU de escape na profilaxia.1 A SBP estima a DVI em 30% a 50% das crianças já no primeiro episódio.4
Avaliação: história dirigida (frequência aumentada ou diminuída, incontinência, urgência, manobras de contenção, jato fraco ou intermitente, esvaziamento incompleto, evitar o banheiro da escola), escalas como o DVSS, escala de Bristol e critérios de Roma IV, exame da região lombossacral e do períneo. Urodinâmica raramente é necessária; USG com resíduo pós-miccional é simples e útil.1,4
Tratamento: uroterapia (micção programada, postura com pés apoiados, relaxamento do assoalho pélvico) e tratamento da constipação com dieta, hábito intestinal e polietilenoglicol. Anticolinérgicos e alfabloqueadores ficam a critério do especialista. Tratar só a constipação pode não resolver o componente vesical.1
9Quando encaminhar
- Fora do escopo da diretriz: bexiga neurogênica, imunossupressão, prematuridade extrema, anomalia congênita renal ou urinária conhecida, doença multissistêmica ou crônica grave.1
- RVU de alto risco, RVU secundário e outras anomalias urológicas de risco: urologia ou nefrologia pediátrica.1
- UCM alterada feita por indicação de 5A, com apoio do especialista na interpretação.1
- DVI que não responde às medidas de constipação e comportamentais; sinais de doença neurológica (fosseta sacral, exame neurológico alterado) pedem imagem da medula ou avaliação especializada.1
- Sem melhora em 48 h de antibiótico adequado: investigar anomalia do trato urinário.4
10Pegadinhas de prova
- Corte da cultura por sonda: ≥ 10.000 na AAP 2026, > 50.000 na SBP 2023 e na AAP 2011. Jato médio: ≥ 100.000 em todas.1,4
- Nitrito: específico, pouco sensível; nitrito negativo não afasta ITU e nitrito positivo não diferencia bacteriúria assintomática.1
- Bacteriúria assintomática não se trata.6
- USG normal não afasta RVU; quem diagnostica RVU é a UCM (ou a CeVUS).1
- Nitrofurantoína não serve para ITU febril.3,4
- Via oral é recomendação forte acima de 28 dias; o lactente toxemiado ou que vomita tudo entra na exceção e começa parenteral, trocando para oral com a melhora.1
- Na DVI com constipação, tratar o intestino e fazer uroterapia vem antes de UCM, profilaxia ou oxibutinina.1
Perguntas frequentes
Qual o ponto de corte da urocultura por sonda na AAP 2026?
≥ 10.000 UFC/mL de um único uropatógeno, com marcador de inflamação na urina (≥ 5 leucócitos/campo ou esterase leucocitária ≥ traços abaixo de 2 meses; ≥ 1+ de 2 meses a 5 anos). No jato médio, ≥ 100.000 UFC/mL.
Quanto tempo tratar a ITU febril na criança?
De 5 a 7 dias de 2 a 24 meses e na pielonefrite a partir de 2 anos; de 3 a 5 dias na cistite afebril a partir de 2 anos. De 7 a 14 dias de 8 dias a 2 meses e na anomalia geniturinária, bacteremia ou má resposta.
ITU febril em lactente pode ser tratada por via oral?
Sim. Acima de 28 dias, a AAP 2026 recomenda (forte) o antibiótico oral em vez do parenteral ou sequencial com internação. Exceções: bacteremia, criança criticamente doente e intolerância à via oral. De 8 a 28 dias, parenteral com troca precoce.
Quando pedir uretrocistografia miccional?
Com USG alterada após a 1ª ITU febril, em todo menor de 2 anos com a 2ª ITU febril e no maior de 2 anos com a 2ª ITU febril sem outra explicação. É opção já na 1ª ITU em menores de 1 mês, agente não E. coli, menino circuncidado ou curso atípico.
Profilaxia antibiótica no refluxo vesicoureteral?
Não de rotina no RVU de baixo risco (graus I–II sem disfunção vesical e intestinal). No grau III, é razoável conforme a preferência da família; no alto risco (graus IV–V, cicatriz, pielonefrite recorrente, DVI), é opção, com decisão compartilhada e especialista.
Qual antibiótico empírico usar na ITU da criança?
O de menor espectro que cubra a E. coli local: cefalexina (ou cefazolina) quando a sensibilidade local passa de 80–85%. Alternativas pelo antibiograma regional: ceftriaxona, cefixima, sulfametoxazol-trimetoprima ou ciprofloxacino.
Conteúdo conferido em 10 de outubro de 2026 nas fontes abaixo, na ordem de prioridade: Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde, UpToDate e Lexidrug. Quando as fontes discordam, seguimos a SBP e mostramos a diferença. Como fazemos
Referências
- American Academy of Pediatrics, Guideline Panel on Diagnosis and Management of UTI. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Treatment of Urinary Tract Infection in Children From 8 Days to 5 Years of Age. Pediatrics. 2026;158(4):e2026078565 (edição de outubro de 2026). publications.aap.org ↗
- American Academy of Pediatrics. Urinary Tract Infection Clinical Practice Guideline: ferramentas de implementação. Página atualizada em 3 de agosto de 2026. aap.org ↗
- Roberts KB; Subcommittee on Urinary Tract Infection, Steering Committee on Quality Improvement and Management. Urinary Tract Infection: Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Management of the Initial UTI in Febrile Infants and Children 2 to 24 Months. Pediatrics. 2011;128(3):595-610. Diretriz aposentada em maio de 2021. publications.aap.org ↗
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Documento Científico nº 101: Infecção urinária: diagnóstico, investigação e prevenção. Departamento Científico de Nefrologia, 13 de setembro de 2023. sbp.com.br ↗
- Pantell RH, Roberts KB, Adams WG, et al.; Subcommittee on Febrile Infants. Evaluation and Management of Well-Appearing Febrile Infants 8 to 60 Days Old. Pediatrics. 2021;148(2):e2021052228. publications.aap.org ↗
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Pediatria para Famílias: Infecção urinária na criança. Departamento Científico de Nefrologia, maio de 2023. sbp.com.br ↗
Questões comentadas sobre o tema
Material de apoio para profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico, a bula nem as diretrizes originais.
