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ITU na criança: o que mudou na diretriz da AAP 2026

A diretriz que substitui a de 2011: faixa etária ampliada, raça fora da estratificação, novo corte da urocultura, cursos curtos, via oral e profilaxia restrita no RVU.

Equipe editorial Pediatrando Atualizado em 14 min de leitura
AAPSBP

Pontos-chave

  • Escopo: 8 dias a 5 anos, só crianças de baixa complexidade (exclui bexiga neurogênica, imunossupressão, prematuridade extrema e anomalia urinária conhecida). Raça saiu da estratificação de risco.1
  • Diagnóstico (Tabela 1): inflamação na urina e cultura ≥ 10.000 UFC/mL por sonda (ou punção no < 2 meses) ou ≥ 100.000 por jato médio. Avaliar em até 72 h a febre sem foco (2–24 meses) e os sintomas urinários (2–5 anos).1
  • Tratamento por ≤ 7 dias e oral acima de 28 dias (recomendação forte); de 8 a 28 dias, parenteral com troca precoce para oral.1
  • USG de rins e vias urinárias na 1ª ITU febril (forte); UCM não é rotina com USG normal; sem profilaxia contínua no RVU de baixo risco; avaliar e tratar a disfunção vesical e intestinal.1
Neste artigo
  1. O que mudou de 2011 para 2026
  2. Definição e diagnóstico (Tabela 1)
  3. Coleta da urina
  4. Tempo para avaliar (KAS 1)
  5. Tratamento: duração, via e escolha
  6. Imagem: USG, UCM e DMSA
  7. RVU e profilaxia antibiótica (KAS 6)
  8. Disfunção vesical e intestinal
  9. Quando encaminhar
  10. Pegadinhas de prova
  11. Perguntas frequentes
  12. Referências

1O que mudou de 2011 para 2026

A diretriz de 2011 cobria só o lactente febril de 2 a 24 meses e foi aposentada em 2021 pelo uso de raça como fator de risco. A de 2026 é uma revisão completa, não uma reafirmação, feita pelo método GRADE: 8 Key Action Statements (2 fortes e 6 condicionais) e 4 Good Practice Statements.1,2,3

TemaAAP 2011AAP 2026
Faixa etária2 a 24 meses, febril8 dias a 5 anos, febril ou não, baixa complexidade
RaçaEntrava no cálculo de riscoRetirada
Urocultura por sonda≥ 50.000 UFC/mL + piúria≥ 10.000 UFC/mL + inflamação na urina
Jato médioFora da faixa etária≥ 100.000 UFC/mL (2 meses a 5 anos)
Tempo para avaliarPróximas febres: avaliação imediata, de preferência em até 48 hAté 72 h do início; antes nos de maior risco
Duração7 a 14 dias≤ 7 dias (3–5 na cistite; 5–7 na febril)
ViaOral ou parenteral, com eficácia semelhanteOral acima de 28 dias (forte); 8–28 dias: parenteral e troca precoce
USGNa 1ª ITU febrilMantida (forte), para anomalia estrutural, não para RVU
UCMUSG alterada, quadro atípico ou recorrência febrilUSG alterada ou 2ª ITU febril; opção em < 1 mês, não E. coli, menino circuncidado, curso atípico
ProfilaxiaSem benefício demonstrado em RVU I–IVContra a rotina no RVU de baixo risco; opção no alto risco

Montada a partir das duas diretrizes.1,3 A diretriz de 2026 vem com 3 relatórios técnicos (diagnóstico, prevenção e manejo, e ultrassom para RVU) e um kit de implementação com algoritmos.2

2Definição e diagnóstico (Tabela 1)

A AAP define a ITU de "alta probabilidade" pela combinação de marcador de inflamação (leucócitos ou esterase leucocitária) e cultura de um uropatógeno, com limiares que mudam com a idade e o método de coleta.1

IdadeITU provável (cultura pendente)ITU confirmada: urinaITU confirmada: cultura e coleta
< 2 meses≥ 5 leucócitos/campo ou esterase ≥ traços≥ 5 leucócitos/campo ou esterase ≥ traços (qualquer coleta)≥ 10.000 UFC/mL por sonda ou punção suprapúbica
2 meses a 5 anos≥ 10 leucócitos/campo ou esterase ≥ 2+≥ 5 leucócitos/campo ou esterase ≥ 1+ (qualquer coleta)≥ 10.000 UFC/mL por sonda; ≥ 100.000 UFC/mL por jato médio

Tabela 1 da AAP 2026; a cultura é de um uropatógeno, e os leucócitos referem-se a urina não centrifugada.1 Os limiares da urinálise são âncoras de decisão: com probabilidade pré-teste alta (lactente com mau estado geral), colher cultura e tratar mesmo com urinálise duvidosa; com probabilidade baixa, a urinálise duvidosa ajuda a afastar.1

O nitrito tem baixa sensibilidade e alta especificidade para bactérias, mas não indica inflamação e não separa ITU de bacteriúria assintomática. Cultura com vários germes ou não uropatógenos costuma ser contaminação. A cintilografia com DMSA não é necessária no diagnóstico agudo.1

Fatores de risco: idade menor, sexo feminino, menino não circuncidado, febre sem foco, ITU prévia, alteração em exame de imagem, prematuridade e disfunção vesical e intestinal, inclusive constipação. Aleitamento materno e profilaxia em curso reduzem o risco. Calculadoras como o UTICalc ajudam a estimar a probabilidade.1

As fontes divergem: Corte da urocultura por sonda

A AAP 2026 baixou o corte por sonda para ≥ 10.000 UFC/mL de um único uropatógeno, por ganhar sensibilidade sem perda clínica relevante de especificidade.1 O documento da SBP de 2023 ainda usa > 50.000 UFC/mL no cateterismo (o corte da AAP 2011), aceita qualquer contagem na punção suprapúbica e > 100.000 no jato médio.3,4 Nas provas brasileiras, confira qual referência a banca segue.

3Coleta da urina

Sem controle esfincteriano, a cultura deve vir de cateterismo vesical ou punção suprapúbica; com controle, o jato médio é aceito. A chance de conseguir a amostra pesa mais que a idade na escolha do método.1,4

A AAP 2026 não fez recomendação própria sobre a coleta sequencial (saco coletor e, se alterado, sonda) e adotou a diretriz do lactente febril de 8 a 60 dias: urinálise por sonda ou punção e, se positiva, cultura da mesma amostra; ou urinálise por saco ou micção espontânea e, se positiva, cultura por sonda ou punção.1,5

A SBP aceita o saco coletor só para afastar o diagnóstico (se negativo) ou como triagem no quadro leve, quando a demora não piora a evolução; se positivo, repetir por método invasivo. Descreve ainda a técnica de "clean catch" de Fernandes: 25 mL/kg de líquido, espera de 25 minutos e estímulo sacral e suprapúbico com o lactente seguro pelas axilas.4

4Tempo para avaliar (KAS 1)

Na criança sem complexidade médica de 2 a 24 meses com febre sem foco e na de 2 a 5 anos com sintomas sugestivos (disúria, urgência ou polaciúria de início recente), a AAP sugere avaliação para ITU em até 72 h do início, em vez de observação mais longa (recomendação condicional, certeza baixa).1

Antecipar a avaliação no maior risco de pielonefrite ou lesão renal: anomalia estrutural conhecida (hidronefrose, RVU), ITU febril prévia ou sintomas de pielonefrite, como dor no flanco. O mesmo princípio vale para a criança com complexidade médica.1 A SBP orienta suspeitar de ITU em todo lactente com febre sem foco há mais de 24 h.4

5Tratamento: duração, via e escolha

RiscoIdade e quadroDuração
Baixo≥ 2 anos, ITU afebril com sintomas de cistite, sem anomalia conhecida3–5 dias
Baixo2 a 24 meses, ITU febril5–7 dias
Baixo≥ 2 anos, pielonefrite clínica (febre ≥ 39 °C), sem anomalia5–7 dias
Alto8 dias a 2 meses7–14 dias
AltoAnomalia geniturinária, bacteremia ou má resposta clínica7–14 dias

Quadro-resumo da KAS 2 (condicional, certeza baixa): cursos ≤ 7 dias tiveram recorrência semelhante à dos > 7 dias (RR 0,96) e tendência a menos recorrência resistente.1

Via (KAS 3A e 3B). De 8 a 28 dias, parenteral com troca precoce para oral após a melhora clínica (condicional). De > 28 dias a < 5 anos, oral em vez de parenteral ou sequencial com internação (forte, pela soma de danos evitados: internação, acesso venoso, extravasamento, PICC, custo). Se houver dúvida sobre a família conseguir o antibiótico oral na farmácia, pode-se dar uma dose parenteral antes de passar à via oral.1

Parenteral ou sequencial continuam adequados em 4 grupos: menores de 28 dias, bacteremia associada, criança criticamente doente e intolerância à via oral.1 A SBP indica hospitalização nos menores de 2 meses, nos criticamente doentes e no risco de não adesão, e pede creatinina antes do tratamento, sobretudo com aminoglicosídeo.4

Escolha empírica. Preferir o menor espectro: no paciente não grave e sem complexidade, cefazolina ou cefalexina quando a sensibilidade local passa de 80–85%. Com resistência maior ou intolerância: ceftriaxona, cefixima, sulfametoxazol-trimetoprima ou ciprofloxacino, com cautela e pelo antibiograma local, de preferência de um hospital pediátrico da região.1 A SBP pede cobertura para E. coli com resistência local inferior a 20%, revisão em 48–72 h pelo antibiograma e lembra que antibiótico nos 90 dias anteriores aumenta a chance de resistência.4

AntibióticoUsoDose pediátricaFonte
Cefalexina VO1ª linha se sensibilidade local > 80–85%; > 28 dias50–100 mg/kg/dia em 4 doses (SBP: 50 mg/kg/dia de 6/6 ou 8/8 h, na cistite)AAP 2021 e 2011; SBP 20233,4,5
Cefuroxima VOITU febril em tratamento oral30 mg/kg/dia de 12/12 h (AAP 2011: 20–30 mg/kg/dia em 2 doses)SBP 2023; AAP 20113,4
Amoxicilina-clavulanato VOAlternativa; SBP: última opção, pela alteração da flora20–40 mg/kg/dia de 8/8 hSBP 2023; AAP 20113,4
Sulfametoxazol-trimetoprima VOSó se a resistência local permitir6–12 mg/kg/dia de trimetoprima de 12/12 h (30–60 mg/kg/dia de sulfametoxazol)SBP 2023; AAP 20113,4
Ceftriaxona IV ou IMParenteral; dose única antes do oral, se preciso75 mg/kg 1×/dia (AAP 2011); de 22 a 60 dias, 50 mg/kg/dose 1×/diaAAP 2011 e 20213,5
Cefuroxima IVPielonefrite com tratamento parenteral150 mg/kg/dia de 8/8 hSBP 20234
Ampicilina + gentamicina IV ou IMITU de 8 a 21 diasAmpicilina 150 mg/kg/dia de 8/8 h + gentamicina 4 mg/kg/dose 1×/dia (ou ceftazidima 150 mg/kg/dia de 8/8 h no lugar da gentamicina)AAP 20215
Gentamicina IV ou IMPielonefrite fora do período neonatal5–7,5 mg/kg/dia 1×/dia (AAP 2011: 7,5 mg/kg/dia de 8/8 h)SBP 2023; AAP 20113,4
Nitrofurantoína VOSó cistite; nunca na ITU febril5–7 mg/kg/dia de 6/6 hSBP 20234

Doses diárias totais, sem o teto por dose; confirme a concentração e a dose máxima na bula do produto. Nitrofurantoína e ácido nalidíxico não atingem concentração no parênquima renal e não tratam pielonefrite.3,4

Se a cultura vier negativa, suspender o antibiótico empírico, salvo se a amostra foi colhida depois de antibiótico. Sem melhora em 48 h, descartar anomalia do trato urinário e ampliar a cobertura; com boa resposta e sensibilidade confirmada, não há necessidade de urocultura de controle.1,4

As fontes divergem: Duração e idade para a via oral

A AAP 2026 sugere ≤ 7 dias e recomenda via oral a partir de 28 dias de vida.1 A SBP de 2023 cita 10 dias na ITU febril (NICE, Itália e Austrália; a AAP de 2011 falava em 7 a 14) e prefere a via oral só a partir dos 3 meses, com internação abaixo de 2 meses.4 No lactente de 29 a 60 dias, a AAP de 2021 já admitia antibiótico oral (cefalexina ou cefixima) na ITU do lactente com bom estado geral.5

6Imagem: USG, UCM e DMSA

KAS 4 (forte): USG de rins e vias urinárias na 1ª ITU febril em menores de 5 anos, para detectar anomalias estruturais ou achados associados ao RVU, não o RVU em si: a sensibilidade para RVU é de cerca de 50% após a 1ª ITU febril e de 26% na recorrente. Cerca de 22% das USG pós-ITU febril são alteradas, mas só 3,1% mudam a conduta (4,5% nos menores de 24 meses). Não precisa ser feita na fase aguda, salvo quadro grave ou atípico.1

KAS 5A: não fazer UCM de rotina após a 1ª ITU febril com USG normal (condicional). É opção em: idade < 1 mês, agente diferente de E. coli, menino circuncidado, curso atípico ou complicado (choque séptico, UTI) e seguimento pouco confiável. KAS 5B: oferecer UCM com USG alterada após a 1ª ITU febril, em todo menor de 2 anos com a 2ª ITU febril e no maior de 2 anos com a 2ª ITU febril sem outra explicação (como disfunção vesical e intestinal).1

A UCM deve ser feita, em geral, depois do tratamento e no ambulatório; durante a internação, só se houver risco de perder o seguimento. A uretrossonografia miccional com contraste (CeVUS) é alternativa sem radiação onde houver experiência (sensibilidade de 93% e especificidade de 91% em metanálise), sem recomendação formal. O DMSA detecta cicatriz e pielonefrite, mas não é rotina.1

As fontes divergem: Quando pedir a uretrocistografia

A AAP 2026 lista indicações objetivas (USG alterada, 2ª ITU febril e subgrupos de 5A).1 O fluxograma da SBP de 2023 indica USG após a ITU tratada e manda considerar a UCM quando há evidência de acometimento do parênquima ou ITU recorrente; recomenda USG como avaliação inicial nos menores de 2 anos com pielonefrite.4 Na prática, as duas reservam a UCM; a AAP é mais explícita sobre quem pode fazê-la já na 1ª ITU.

7RVU e profilaxia antibiótica (KAS 6)

No RVU de baixo risco (graus I–II e sem disfunção vesical e intestinal, excluída a constipação funcional, pelos critérios de Roma), a AAP sugere não usar profilaxia antibiótica contínua de rotina. O grau III é zona cinzenta: a profilaxia é razoável para famílias que valorizam mais a redução incerta de infecções. No alto risco, a profilaxia é opção.1

  • RVU de alto risco: grau IV ou V; refluxo intrarrenal; cicatriz renal ou nefropatia demonstradas; anomalias estruturais ou corticais renais ou ureterais; pielonefrite recorrente; bacteremia com internação em UTI; disfunção vesical e intestinal (excluída a constipação funcional).1
  • O que a evidência mostra: a profilaxia reduz pouco a ITU de escape (RR 0,78; NNT de 16 em 2 anos), sem diferença em cicatriz renal (RR 1,09), e aumenta a ITU recorrente por germe resistente (RR 1,69; 1 caso a cada 26 tratados).1
  • Good Practice Statements: decisão compartilhada com a família; encaminhar à urologia ou nefrologia pediátrica as crianças com RVU ou anomalias de risco (teleconsulta onde não houver acesso presencial); o manejo inclui observação, profilaxia, injeção endoscópica e reimplante ureteral.1
  • Se for usar (SBP): um terço a metade da dose terapêutica, 1×/dia, de preferência à noite; nitrofurantoína, sulfametoxazol-trimetoprima (acima de 6 semanas) ou cefalexina (abaixo de 6 semanas). Não usar na reinfecção (< 2 semanas).4
As fontes divergem: Profilaxia até terminar a investigação

A SBP de 2023 indica profilaxia até o fim da investigação em crianças com USG alterada (pré-natal ou atual), RVU graus 4 ou 5, uropatia obstrutiva e ITU recorrente (2 ou mais pielonefrites, 1 cistite e 1 pielonefrite, ou 3 ou mais cistites).4 A AAP 2026 não recomenda profilaxia de rotina no baixo risco, a trata como opção no alto risco e não fala em profilaxia enquanto se espera a UCM; diz que faltam evidências sobre profilaxia em quem não tem RVU.1

8Disfunção vesical e intestinal

Good Practice Statement: em toda criança com ITU, avaliar e tratar a disfunção vesical e intestinal (DVI), incluindo a constipação, para reduzir recorrências. Ela aparece em 40% a 54% das crianças com ITU, atrasa a resolução espontânea do RVU e aumenta a ITU de escape na profilaxia.1 A SBP estima a DVI em 30% a 50% das crianças já no primeiro episódio.4

Avaliação: história dirigida (frequência aumentada ou diminuída, incontinência, urgência, manobras de contenção, jato fraco ou intermitente, esvaziamento incompleto, evitar o banheiro da escola), escalas como o DVSS, escala de Bristol e critérios de Roma IV, exame da região lombossacral e do períneo. Urodinâmica raramente é necessária; USG com resíduo pós-miccional é simples e útil.1,4

Tratamento: uroterapia (micção programada, postura com pés apoiados, relaxamento do assoalho pélvico) e tratamento da constipação com dieta, hábito intestinal e polietilenoglicol. Anticolinérgicos e alfabloqueadores ficam a critério do especialista. Tratar só a constipação pode não resolver o componente vesical.1

9Quando encaminhar

  • Fora do escopo da diretriz: bexiga neurogênica, imunossupressão, prematuridade extrema, anomalia congênita renal ou urinária conhecida, doença multissistêmica ou crônica grave.1
  • RVU de alto risco, RVU secundário e outras anomalias urológicas de risco: urologia ou nefrologia pediátrica.1
  • UCM alterada feita por indicação de 5A, com apoio do especialista na interpretação.1
  • DVI que não responde às medidas de constipação e comportamentais; sinais de doença neurológica (fosseta sacral, exame neurológico alterado) pedem imagem da medula ou avaliação especializada.1
  • Sem melhora em 48 h de antibiótico adequado: investigar anomalia do trato urinário.4

10Pegadinhas de prova

  • Corte da cultura por sonda: ≥ 10.000 na AAP 2026, > 50.000 na SBP 2023 e na AAP 2011. Jato médio: ≥ 100.000 em todas.1,4
  • Nitrito: específico, pouco sensível; nitrito negativo não afasta ITU e nitrito positivo não diferencia bacteriúria assintomática.1
  • Bacteriúria assintomática não se trata.6
  • USG normal não afasta RVU; quem diagnostica RVU é a UCM (ou a CeVUS).1
  • Nitrofurantoína não serve para ITU febril.3,4
  • Via oral é recomendação forte acima de 28 dias; o lactente toxemiado ou que vomita tudo entra na exceção e começa parenteral, trocando para oral com a melhora.1
  • Na DVI com constipação, tratar o intestino e fazer uroterapia vem antes de UCM, profilaxia ou oxibutinina.1

Perguntas frequentes

Qual o ponto de corte da urocultura por sonda na AAP 2026?

≥ 10.000 UFC/mL de um único uropatógeno, com marcador de inflamação na urina (≥ 5 leucócitos/campo ou esterase leucocitária ≥ traços abaixo de 2 meses; ≥ 1+ de 2 meses a 5 anos). No jato médio, ≥ 100.000 UFC/mL.

Quanto tempo tratar a ITU febril na criança?

De 5 a 7 dias de 2 a 24 meses e na pielonefrite a partir de 2 anos; de 3 a 5 dias na cistite afebril a partir de 2 anos. De 7 a 14 dias de 8 dias a 2 meses e na anomalia geniturinária, bacteremia ou má resposta.

ITU febril em lactente pode ser tratada por via oral?

Sim. Acima de 28 dias, a AAP 2026 recomenda (forte) o antibiótico oral em vez do parenteral ou sequencial com internação. Exceções: bacteremia, criança criticamente doente e intolerância à via oral. De 8 a 28 dias, parenteral com troca precoce.

Quando pedir uretrocistografia miccional?

Com USG alterada após a 1ª ITU febril, em todo menor de 2 anos com a 2ª ITU febril e no maior de 2 anos com a 2ª ITU febril sem outra explicação. É opção já na 1ª ITU em menores de 1 mês, agente não E. coli, menino circuncidado ou curso atípico.

Profilaxia antibiótica no refluxo vesicoureteral?

Não de rotina no RVU de baixo risco (graus I–II sem disfunção vesical e intestinal). No grau III, é razoável conforme a preferência da família; no alto risco (graus IV–V, cicatriz, pielonefrite recorrente, DVI), é opção, com decisão compartilhada e especialista.

Qual antibiótico empírico usar na ITU da criança?

O de menor espectro que cubra a E. coli local: cefalexina (ou cefazolina) quando a sensibilidade local passa de 80–85%. Alternativas pelo antibiograma regional: ceftriaxona, cefixima, sulfametoxazol-trimetoprima ou ciprofloxacino.

Equipe editorial Pediatrando

Conteúdo conferido em 10 de outubro de 2026 nas fontes abaixo, na ordem de prioridade: Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde, UpToDate e Lexidrug. Quando as fontes discordam, seguimos a SBP e mostramos a diferença. Como fazemos

Referências

  1. American Academy of Pediatrics, Guideline Panel on Diagnosis and Management of UTI. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Treatment of Urinary Tract Infection in Children From 8 Days to 5 Years of Age. Pediatrics. 2026;158(4):e2026078565 (edição de outubro de 2026). publications.aap.org ↗
  2. American Academy of Pediatrics. Urinary Tract Infection Clinical Practice Guideline: ferramentas de implementação. Página atualizada em 3 de agosto de 2026. aap.org ↗
  3. Roberts KB; Subcommittee on Urinary Tract Infection, Steering Committee on Quality Improvement and Management. Urinary Tract Infection: Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Management of the Initial UTI in Febrile Infants and Children 2 to 24 Months. Pediatrics. 2011;128(3):595-610. Diretriz aposentada em maio de 2021. publications.aap.org ↗
  4. Sociedade Brasileira de Pediatria. Documento Científico nº 101: Infecção urinária: diagnóstico, investigação e prevenção. Departamento Científico de Nefrologia, 13 de setembro de 2023. sbp.com.br ↗
  5. Pantell RH, Roberts KB, Adams WG, et al.; Subcommittee on Febrile Infants. Evaluation and Management of Well-Appearing Febrile Infants 8 to 60 Days Old. Pediatrics. 2021;148(2):e2021052228. publications.aap.org ↗
  6. Sociedade Brasileira de Pediatria. Pediatria para Famílias: Infecção urinária na criança. Departamento Científico de Nefrologia, maio de 2023. sbp.com.br ↗

Questões comentadas sobre o tema

Material de apoio para profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico, a bula nem as diretrizes originais.

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