Uma adolescente de 14 anos, do sexo feminino, previamente hígida, foi ao pronto atendimento, acompanhada da mãe, com relato de ter sido vítima de violência sexual, por um agressor desconhecido, em um único episódio, ocorrido há cerca de 12 horas. Ela teve menarca há dois anos e apresenta ciclos menstruais regulares. Possui calendário vacinal atualizado com 3 doses contra Hepatite B. De acordo com as orientações do Ministério da Saúde, assinale a alternativa que contém uma conduta correta frente a esse caso.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso, que nos traz uma adolescente de quatorze anos.
- É importante notar que ela é previamente hígida, ou seja, não tinha problemas de saúde antes.
- O motivo da consulta é que ela foi vítima de violência sexual, um dado central para a conduta.
- O agressor é desconhecido, o que aumenta a preocupação com a transmissão de infecções.
- A violência ocorreu há cerca de doze horas, um tempo crucial para a eficácia de algumas profilaxias.
- Ela teve menarca há dois anos e tem ciclos menstruais regulares, indicando que já está em idade reprodutiva e pode engravidar.
- Por fim, o calendário vacinal está atualizado com três doses contra Hepatite B, o que é relevante para a profilaxia dessa infecção.
- Com todos esses dados em mente, a gente percebe que o atendimento a uma vítima de violência sexual deve ser sempre muito abrangente.
- O fato de ter ocorrido há doze horas é fundamental, pois nos dá uma janela de tempo para iniciar a profilaxia pós-exposição para HIV e a contracepção de emergência.
- Além disso, o agressor desconhecido e o tipo de violência indicam a necessidade de profilaxia para diversas infecções sexualmente transmissíveis bacterianas.
- A vacinação completa para Hepatite B nos orienta sobre a conduta específica para essa infecção.
- Agora, vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere restringir a conversa à prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.
- Essa conduta está incorreta, pois o atendimento a vítimas de violência sexual é complexo e envolve acolhimento, proteção, contracepção de emergência e apoio emocional, além da prevenção de infecções.
- A alternativa C propõe prescrever anticoncepção de urgência somente se o exame de beta HCG for positivo.
- Isso está errado, porque a contracepção de emergência é uma medida preventiva para evitar a gravidez e deve ser administrada o mais rápido possível após a exposição, antes mesmo de um possível teste positivo.
- A alternativa D sugere coletar a primeira sorologia de HIV, sífilis, Hepatite B e C após trinta dias da exposição.
- Essa conduta é incorreta. As sorologias basais devem ser coletadas no primeiro atendimento para que tenhamos um ponto de comparação e possamos monitorar a evolução, com repetição conforme a janela diagnóstica de cada infecção.
- A alternativa E indica administrar a Imunoglobulina Humana Anti-Hepatite B em até vinte e quatro horas, sem a vacina.
- Essa opção está incorreta porque a adolescente já tem o calendário vacinal completo para Hepatite B, com três doses. Nesses casos, a imunoglobulina geralmente não é necessária, e a vacina já confere proteção.
- Finalmente, a alternativa B propõe administrar quimioprofilaxia para Sífilis, Gonorreia, Tricomoníase, Cancro Mole e Clamídia.
- Essa é a conduta correta. Dada a exposição a um agressor desconhecido e o tempo de doze horas, a profilaxia para as infecções sexualmente transmissíveis bacterianas é indicada conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
- Então, em uma adolescente vítima de violência sexual, com agressor desconhecido e atendimento em até setenta e duas horas, pense sempre na profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis, HIV e contracepção de emergência.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Manual de atendimento às crianças e adolescentes vítimas de violênciaSBP, 2018 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.