M.M.L; 2 anos, sexo feminino. Paciente dá entrada no Pronto Atendimento com quadro de diarreia de 5 dias de evolução, com fezes aquosas em grande volume, vários episódios ao dia. Mãe relata febre nos primeiros 2 dias; e quadro semelhante em toda família. AO EXAME: Hipocorado (1+/4+), anictérico, acianótico, mucosas secas, pulso aumentado, sedento, boa perfusão capilar, sem edemas. Aparelho Cardiovascular: Ritmo cardíaco regular em 2 tempos, sem sopros. Frequência cardíaca: 120bpm Aparelho respiratório: Murmúrio vesícular fisiológico, sem esforço Aparelho digestivo: Abdome normotenso, indolor, sem massas ou visceromegalias, ruído hidroaéreo positivo. Sobre o quadro clínico, é CORRETO afirmar:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. A paciente tem dois anos de idade, o que já nos alerta para o risco aumentado de desidratação em crianças pequenas com diarreia.
- Ela apresenta um quadro de diarreia com cinco dias de evolução, o que a classifica como uma diarreia aguda.
- As fezes são aquosas e em grande volume, o que é uma característica comum de diarreias de etiologia viral, que são as mais frequentes nessa faixa etária.
- A mãe relata febre apenas nos primeiros dois dias, o que também é consistente com um quadro viral, onde a febre costuma ser autolimitada.
- Além disso, o quadro é semelhante em toda a família, o que reforça a hipótese de uma etiologia infecciosa, provavelmente viral, com alta transmissibilidade.
- Ao exame físico, a paciente está hipocorada, um sinal que pode indicar desidratação ou até mesmo anemia, mas no contexto da diarreia, pensamos mais em desidratação.
- As mucosas secas são um sinal clássico e muito importante de desidratação.
- O pulso aumentado e a frequência cardíaca de 120 batimentos por minuto para uma criança de dois anos indicam uma taquicardia leve, que pode ser uma resposta compensatória à desidratação.
- A paciente está sedenta, o que é um dos sinais mais fidedignos de desidratação em crianças.
- A boa perfusão capilar é um dado tranquilizador, pois indica que, apesar dos sinais de desidratação, a criança não apresenta sinais de choque, o que é fundamental para definir a conduta inicial.
- Juntando todos esses achados, temos uma criança de dois anos com diarreia aguda, provavelmente viral, e múltiplos sinais de desidratação, como mucosas secas, sede, taquicardia e hipocorado.
- Como não há sinais de choque, como perfusão capilar lentificada ou alteração do nível de consciência, a desidratação é classificada como leve a moderada.
- A terapia de reidratação oral é a primeira linha de tratamento para desidratação leve a moderada, e a supervisão em serviço de saúde é indicada quando há sinais clínicos evidentes de desidratação.
- Analisando a alternativa B, o quadro clínico, com fezes aquosas e sem sinais de disenteria, não sugere uma etiologia bacteriana que necessite de antibioticoterapia. Além disso, a maioria das diarreias agudas em crianças é viral.
- A alternativa C propõe uma dieta isenta de lactose. No entanto, a dieta sem lactose não é recomendada de rotina para diarreias agudas de curta duração, pois a intolerância secundária à lactose é rara e a restrição pode prejudicar a nutrição da criança.
- Sobre a alternativa D, a administração de zinco é recomendada para crianças com diarreia aguda, independentemente da duração, para reduzir a gravidade e a duração do episódio, e não apenas após quatorze dias.
- Por fim, a alternativa A está correta. A paciente apresenta múltiplos sinais de desidratação, como mucosas secas, sede e taquicardia, e a terapia de reidratação oral supervisionada no serviço de saúde é a conduta mais adequada para iniciar o tratamento, permitindo reavaliação contínua.
- Então, criança de dois anos com diarreia aguda e sinais de desidratação como sede e mucosas secas, pense sempre em reidratação oral supervisionada, pois é a conduta inicial mais segura e eficaz.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Diarreia aguda infecciosaSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.