Você está de plantão em uma enfermaria pediátrica e admite um paciente de 8 anos, previamente hígido, que apresentou crise convulsiva. Após tomografia de crânio, foi feito o diagnóstico de abscesso cerebral e fará terapia antibiótica em regime de internação hospitalar. A médica que fez o atendimento inicial e indicou a internação, pediu que você solicitasse um ecocardiograma para a criança. Qual a principal suspeita da médica ao solicitar este exame?
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Resposta: D
A) Prolapso de valva mitral.
Prolapso da valva mitral é raro em crianças, quase sempre benigno e não é fator de risco para abscesso cerebral; no máximo, com regurgitação, aumenta levemente o risco de endocardite.
B) Trombo intra-atrial.
Trombo intra-atrial causa embolia sistêmica estéril e AVC isquêmico, geralmente em arritmias, cardiomiopatias ou após cirurgia de Fontan, não em criança previamente hígida. Não explica um abscesso.
C) Endocardite infecciosa.
Endocardite pode gerar êmbolos sépticos e abscessos cerebrais, mas cursa com febre prolongada, sopro e sinais periféricos, e é rara em criança sem cardiopatia. Em criança hígida com abscesso, o ecocardiograma busca principalmente um shunt direita-esquerda.
D) Embolia paradoxal.
Um shunt direita-esquerda (cardiopatia cianogênica, forame oval pérvio com inversão de fluxo, malformação arteriovenosa pulmonar) deixa bactérias venosas atingirem o cérebro sem passar pelo pulmão: é a embolia paradoxal, principal causa cardíaca de abscesso cerebral na infância. O ecocardiograma com microbolhas ajuda a detectá-lo.
Resumo para lembrar
Na infância, o abscesso cerebral se associa a shunt direita-esquerda (cardiopatias cianogênicas como a tetralogia de Fallot, forame oval com inversão de fluxo, malformação arteriovenosa pulmonar): bactérias da circulação venosa chegam ao cérebro sem o filtro pulmonar. Sem foco otorrinolaringológico ou dentário, o ecocardiograma procura esse shunt.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.