Menino, sete meses de vida, em aleitamento exclusivo, iniciou fórmula láctea adequada para a idade aos seis meses. Cerca de 10 minutos após a ingestão da segunda mamadeira, apresentou hiperemia perioral sem outros sinais e sintomas. A mãe associou o quadro a um eczema recorrente da criança e ofereceu novamente a fórmula. No novo contato, houve aparecimento de placas eritematosas difusas em tronco e membros, e angioedema labial. Após esse último episódio, a mãe não ofereceu mais fórmula láctea, mas quando ela ingere alimentos com leite e amamenta seu filho, o bebê apresenta hiperemia labial. Qual é a melhor conduta terapêutica nesse caso clínico?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um menino de sete meses de vida, e essa idade é importante porque ele já está na fase de introdução alimentar, mas ainda é um lactente.
- Ele estava em aleitamento exclusivo até os seis meses, o que é o recomendado, e depois iniciou fórmula láctea adequada para a idade.
- O primeiro episódio de reação aconteceu cerca de dez minutos após a ingestão da segunda mamadeira, o que nos sugere uma reação de hipersensibilidade imediata, provavelmente mediada por IgE.
- Nesse primeiro contato, ele apresentou hiperemia perioral, que é um sinal comum de alergia alimentar, principalmente ao redor da boca.
- A mãe, sem saber, ofereceu novamente a fórmula, e no novo contato, os sintomas foram mais graves, com aparecimento de placas eritematosas difusas em tronco e membros, que é uma urticária, e angioedema labial.
- O mais importante para o diagnóstico é que, mesmo após a mãe parar de dar a fórmula, quando ela ingere alimentos com leite e amamenta, o bebê ainda apresenta hiperemia labial. Isso confirma que a proteína do leite de vaca está passando para o leite materno e causando reação no bebê.
- Com todos esses dados, temos um quadro clássico de alergia à proteína do leite de vaca, do tipo IgE mediada, em um lactente que ainda é amamentado.
- Agora vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas.
- A alternativa A sugere manter o aleitamento materno e manter o leite de vaca na dieta materna. Isso está incorreto, pois o bebê já está reagindo ao leite que passa pelo leite materno, então a mãe precisa excluir a proteína da sua dieta.
- A alternativa B propõe suspender o aleitamento materno e substituir por fórmula de aminoácidos. Suspender o aleitamento materno é um erro grave, pois o leite materno é o melhor alimento para o bebê. A fórmula de aminoácidos é reservada para casos mais graves ou quando outras fórmulas não funcionam.
- A alternativa C também sugere suspender o aleitamento materno, o que já a torna incorreta. Além disso, propõe substituir por fórmula parcialmente hidrolisada, que não é indicada para alergia à proteína do leite de vaca, pois ainda contém proteínas com potencial alergênico.
- A alternativa D, por sua vez, está correta. Ela indica manter o aleitamento materno, que é fundamental, e solicitar a exclusão de leite de vaca da dieta materna. Essa é a conduta padrão para alergia à proteína do leite de vaca em lactentes amamentados, garantindo que o bebê não seja exposto ao alérgeno e continue recebendo os benefícios do leite materno.
- Então, em uma criança de sete meses, com reações alérgicas rápidas e angioedema após ingestão de leite de vaca, e também via leite materno, pense sempre em alergia à proteína do leite de vaca IgE mediada, e a conduta é manter o aleitamento materno com dieta de exclusão materna.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Alergia ao leite no amamentado: dieta da mãe — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Atualização em alergia alimentar — Departamento de Alergia e Imunologia (com a ASBAI); Consenso brasileiro de APLV (SBP, 2025) · Milk allergy: Clinical features and diagnosis; Management (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Atualização em alergia alimentar 2025SBP/ASBAI, 2025 · acesso restrito · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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